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Dilma corteja eleitorado de Marina e liga Aécio a ‘fantasmas do passado’

Primeiro discurso da presidente após resultado do primeiro turno deixou clara a estratégia petista para o restante da eleição

Por Gabriel Castro, de Brasília - 5 out 2014, 23h10

Em seu primeiro pronunciamento após a divulgação dos resultados das urnas neste domingo, a presidente Dilma Rousseff deixou claro quais serão as duas prioridades de sua campanha no segundo turno: cativar o voto dos eleitores de Marina Silva e vincular Aécio Neves a “fantasmas do passado”.

A presidente falou por cerca de 20 minutos no auditório de um hotel em Brasília, ao qual chegou com horas de atraso. O espaço reservado pelo PT tem capacidade para 120 pessoas, mas o partido teve de se esforçar para preencher a maior parte dos lugares. Em seu discurso, a presidente agradeceu o empenho da militância e fez acenos ao eleitorado de Marina Silva. “Eu quero dizer para vocês que eu entendi claramente o recado das ruas e das urnas”, afirmou.

Em vez de se cobrir de autoelogios, Dilma deve enfatizar, no segundo turno, as novas propostas que tem para um segundo mandato. É uma tentativa de conquistar o eleitor que quer mudança – maioria entre os brasileiros. A presidente mencionou o programa “Mais Especialidades” para a saúde e os centros de controle integrado na área da segurança pública como novos projetos a serem implementados.

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Depois, fez um apelo obviamente direcionado a Marina Silva – a mesma que, até a véspera da eleição, o PT e Dilma atacavam duramente. “Nós estamos abertos a receber todos aqueles que quiserem nos apoiar de braços abertos”, disse.

A petista também se dirigiu aos eleitores típicos de Marina, muitos deles desiludidos com o PT. “Convido partidos, lideranças, mulheres, jovens, negros, todos os brasileiros e as brasileiras a estarem conosco. Esses que historicamente sempre estiveram conosco e que por qualquer motivo nos últimos doze anos ganharam força e representatividade, porque ganharam direitos, ganharam renda e novas oportunidades, que se juntem a nós nessa caminhada que já começou”, disse.

PSDB – Dilma também manteve o tom agressivo que vinha usando contra Marina para atingir Aécio Neves. A campanha do segundo turno deve ser centrada nos ataques ao PSDB e ao governo Fernando Henrique Cardoso.

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“O povo brasileiro não quer os fantasmas do passado de volta, como a recessão, o arrocho, o desemprego”, afirmou ela. “Nós teremos novamente uma disputa com o PSDB, que governou apenas para um terço da população, abandonando aqueles que mais precisam”.

A presidente citou uma lista de características do PSDB que, na avaliação petista, podem convencer o eleitorado a rejeitar Aécio Neves. Não faltaram menções ao racionamento de energia e à “submissão” ao Fundo Monetário Internacional. O uso dos “fantasmas do passado” é a prova de que o partido vai explorar a campanha do medo mais uma vez.

No palanque, enquanto Dilma falava, estavam apenas três integrantes da campanha: o vice-presidente Michel Temer, o presidente do PT, Rui Falcão, e o presidente do PCdoB, Renato Rebelo.

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