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Diferença salarial entre negros e brancos dispara 62% em cinco anos no Rio, diz pesquisa

Dado faz parte do Mapa da Desigualdade, que revela questões raciais, de gênero, econômicas e climáticas na Região Metropolitana do Rio

Por Gustavo Villela 1 out 2026, 07h50 | Atualizado em 1 out 2026, 09h16
Diferença salarial entre negros e brancos dispara 62% em cinco anos no Rio, diz pesquisa Priorize VEJA no Google

A disparidade salarial entre negros e brancos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro aumentou 62,5%, revelou pesquisa da Casa Fluminense divulgada nesta quinta-feira, 1º. A partir da análise de dados governamentais, a quinta edição do Mapa da Desigualdade levantou 40 indicadores voltados para a justiça racial, de gênero, econômica e climática na região. Veja os principais dados abaixo.

Justiça racial

Diferença salarial entre negros e brancos

O crescimento da disparidade do salário médio de negros e brancos em 62,5% traduz um alargamento de 1.039 reais na distância. O intervalo que já era de 1.661 reais a mais para brancos em 2021 passou para 2.700. Na capital, a diferença é a maior, cerca de 3.300 reais, seguida pelos municípios de Seropédica, Niterói e Itaguaí. A fonte dos números é a Relação Anual de Informações Sociais.

Mapa da desigualdade salarial no estado do Rio de Janeiro, mostrando municípios com valores que pessoas negras ganham a menos, variando de R7 a R72. Rio de Janeiro capital tem a maior diferença, R71. Dados gerais: Brasil R18, ERJ R68, RMRJ R00
Salário médio de negros comparado ao de brancos por município (2025) (Casa Fluminense/Mapa da Desigualdade/.)
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Pessoas negras assassinadas pelo Estado

O levantamento da Casa Fluminense também revelou que, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, mais de 70% das 741 pessoas mortas por agentes de segurança pública na Região Metropolitana do Rio em 2025 eram negras. Em Belford Roxo, Magé e Maricá, todas as vítimas eram negras e, na capital, 68% eram.

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População negra em domicílios não destinados à habitação

A partir de dados do Cadastro Único do Governo Federal, o Mapa da Desigualdade constatou que 70% das pessoas que residem em domicílios particulares improvisados na Região Metropolitana do Rio são negras, o correspondente a 116.820 habitantes. Paracambi tem o maior índice, 80,4%, e Petrópolis, o menor, 47,3%. O índice médio do estado é semelhante ao da região, 69%.

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Mapa da desigualdade no estado do Rio de Janeiro, com municípios coloridos por faixas percentuais. Petrópolis tem 47,3%, Paracambi 80,4%, Mesquita 79,6% e Rio Bonito 77,4%. A legenda indica que tons mais escuros representam maior desigualdade, acima de 70% até 85%. Dados gerais: Brasil 78%, ERJ 69%, RMRJ 70%
Índice de negros em comparação a brancos que residem em domicílio não destinados à habitação em comparação a brancos (2026) (Casa Fluminense/Mapa da Desigualdade/.)

Diferença de idade média ao morrer entre negros e brancos

Usando dados extraídos da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, o instituto calculou que negros tendem a viver, em média, 11 anos a menos do que brancos no município de Niterói. Na capital, são 10 anos e, em Petrópolis e Queimados, 9. Em todos os municípios da Região Metropolitana do Rio, a expectativa de vida é maior para brancos do que para negros, e a média tanto na região quanto no estado é 9.

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População negra em situação de rua

O levantamento apontou que, de acordo com dados do Cadastro Único do Governo Federal, mais de 31.000 pessoas estão em situação de rua na Região Metropolitana do Rio e 23 mil delas são negras. Em percentual, o índice no estado e na região é o mesmo, 75%, e no Brasil, 71%. Sete dos 13 municípios da Baixada Fluminense estão acima dos 80%.

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Mapa da desigualdade no estado do Rio de Janeiro, mostrando municípios com percentuais de desigualdade por tons de verde. Queimados e Seropédica têm 86%, São João de Meriti 84%, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Mesquita 83%. Petrópolis e Guapimirim têm 71% e 70% respectivamente. Dados gerais: Brasil 71%, ERJ 75%, RMRJ 75%
Índice de população negra comparada a população branca em situação de rua (2026) (Casa Fluminense/Mapa da Desigualdade/.)

Justiça de gênero

Diferença salarial entre homens e mulheres

Com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais, o Mapa da Desigualdade revelou que mulheres ganham menos que homens em 19 dos 22 municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As cidades com maior desigualdade proporcional são Itaboraí, onde os salários são 30,6% menores, Itaguaí, onde a diferença é de 29,1%, e Paracambi, onde a disparidade é de 26,4%. Os únicos municípios onde mulheres ganham mais que homens são Maricá, Cachoeiras de Macacu e Tanguá.

Violência de gênero

O levantamento apontou, a partir de dados do Instituto de Segurança Pública, que 16,3% das mulheres foram vítimas de alguma forma de violência de gênero registrada oficialmente na Região Metropolitana do Rio. A capital concentra 35% das ocorrências, a Baixada Fluminense, 23%, e o Leste, cerca de 10%. Em Guapimirim, Maricá, Magé e Paracambi, mais de 25% das mulheres sofreram violência de gênero.

Mapa da Desigualdade mostrando a incidência de casos de violência contra mulheres por 1.000 mulheres em municípios do Rio de Janeiro. Guapimirim (33,0), Paracambi (25,8), Maricá (27,1) e Magé (26,9) apresentam as maiores taxas, em tons de roxo escuro. Municípios como São Gonçalo (10,2) e Itaboraí (10,6) têm as menores taxas, em roxo claro. A legenda indica quatro faixas de casos por 1.000 mulheres, de até 11 a 28-33. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) registra 16,3 casos.
Índice de mulheres que foram vítimas de violência de gênero em 2025 (Casa Fluminense/Mapa da Desigualdade/.)

A violência de gênero pode ser física, sexual, psicológica, moral e patrimonial. O relatório chama a atenção para o fato de que violências praticadas contra a população trans raramente constam nos dados, que também não englobam ocorrências que deixam de ser registradas oficialmente.

Matrículas em creches

Apenas uma a cada três crianças de até três anos está matriculada em creches na Região Metropolitana do Rio. Em Queimados e Nova Iguaçu, cerca de 90% das crianças estão fora das salas de aula. Além de prejudicar o desenvolvimento cognitivo infantil, o déficit afeta principalmente as mães periféricas. A fonte é a própria Casa Fluminense, com base em dados do Censo Escolar de 2025 e projeções populacionais do Departamento de Informática do SUS

Mulheres negras em pobreza e extrema pobreza

Em 18 das 22 cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, mais de 70% das mulheres que vivem com até 218 reais são negras. Em Japeri, São João de Meriti e Queimados, na Baixada Fluminense, o percentual é superior a 80%. O índice de mulheres negras comparado ao de mulheres brancas em situação de pobreza ou extrema pobreza é 72% na região, 71% no estado e 74% no Brasil. A fonte dos dados é o Cadastro Único do Governo Federal.

Mapa da desigualdade no estado do Rio de Janeiro, com municípios coloridos em tons de verde e amarelo, indicando percentuais de desigualdade. A legenda mostra que tons mais escuros representam maior desigualdade. Os dados gerais são: Brasil 74%, ERJ 71%, RMRJ 72%
Índice de mulheres negras em situações de pobreza e extrema pobreza em comparação a brancas (Casa Fluminense/Mapa da Desigualdade/.)

Violência sexual no transporte

Todas as mulheres que notificaram terem sofrido violência sexual nos municípios de Belford Roxo, Magé, Mesquita, Queimados e Tanguá eram negras. Na Região Metropolitana do Rio, 55% das 113 meninas e mulheres eram negras. Por se tratar de um crime muito subnotificado, os números reais podem ser de dimensão muito maior. Os dados trabalhados são do Instituto de Segurança Pública.

“A segurança de meninas e mulheres negras segue sendo comprometida até mesmo no transporte público. É um número que não para de subir, e ainda assim, não vemos políticas públicas voltadas para a proteção desse público, que a princípio parece ser um público muito específico, mas que representa 55% das mulheres da metrópole. Em 5 municípios, todas as vítimas de violência no transporte eram negras. Isso não é trivial, e o Estado não pode mais tratar como se fosse”, alertou a coordenadora de informação da Casa Fluminense, Iris Rosa, a VEJA.

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