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Derrotado, Ratinho Júnior se queixa de Gleisi e Paulo Bernardo

Aliado de primeira hora do governo Dilma Rousseff, o candidato do PSC atribuiu a derrota ao maior peso político do palanque do rival Gustavo Fruet

Por Gabriel Castro, de Curitiba - 29 out 2012, 15h12

Derrotado no segundo turno das eleições em Curitiba, o deputado federal Ratinho Júnior (PSC) disse nesta segunda-feira que sua relação com os ministros Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, do PT paranaense, não será mais a mesma. “Não tenho mais o mesmo carinho que tinha pela ministra e pelo Paulo Bernardo”, afirmou, em entrevista coletiva.

Ratinho Júnior, que ajudou coordenar a campanha eleitoral de Dilma Rousseff no Paraná, se queixou da participação intensa dos ministros na campanha de Gustavo Fruet (PDT), que saiu vitorioso do pleito. O candidato derrotado acredita que foi prejudicado pela ida de integrantes do governo federal a Curitiba para auxiliar Fruet. Além de Gleisi e Paulo Bernardo, cinco ministros estiveram na cidade durante a campanha.

Aos 31 anos, Ratinho Júnior foi a surpresa da eleição em Curitiba: terminou o primeiro turno como candidato mais votado, com 34% dos votos (no segundo, perdeu por 60% a 39%). Mas ele descarta uma candidatura ao governo do estado em 2014: “Eu não vejo musculatura suficiente para enfrentar uma jornada dessas, tão grande. Está muito cedo”.

Ao avaliar sua trajetória na campanha, o deputado federal afirmou que Gustavo Fruet passou ao eleitor a imagem de que poderia fazer uma mudança segura em relação à gestão do prefeito Luciano Ducci (PSB), que ficou em terceiro lugar na disputa. “O eleitor acabou entendendo que ele seria, talvez, uma mudança menos brusca”, disse Ratinho Júnior.O candidato derrotado afirmou ainda que sua campanha errou ao demorar para reagir ao que chamou de “ataques” de Fruet no segundo turno: “Nós ficamos cinco, seis dias para ver se fazíamos o enfrentamento”, avaliou.

Filiado a um partido pequeno, Ratinho Júnior prefere não fechar portas: disse que os vereadores de seu partido não farão oposição a Fruet. Ao mesmo tempo, afirmou ter uma dívida de gratidão com o governador tucano Beto Richa, que apoiava Luciano Ducci mas liberou integrantes de seu governo para apoiar o candidato do PSC. E declarou ter admiração pela presidente Dilma Rousseff.

Apesar do discurso de conciliação, Ratinho Júnior voltou a criticar a guinada do prefeito eleito, que até o ano passado era filiado ao PSDB e criticava duramente os petistas. “A aliança dele não foi legítima, foi de conveniência. Isso todo mundo sabe. Há um ano e meio ele fez uma campanha para o Senado chamando o governo Lula de uma facção de criminosos, quadrilheiros. Não fui eu quem mudou de lado”.

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