Deputado petista pede que Bolsonaro volte à Papudinha após carta lida por Flávio
Lindbergh Farias (PT-RJ) argumenta que documento foi feito para ser lido ao público e tentou 'burlar' proibição de acesso às redes sociais
O deputado federal e vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja enviado à Papudinha pela suposta prática de falta grave, por conta da carta que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), leu nas redes sociais no sábado, 11. O pedido do petista argumenta que Bolsonaro não pode ter acesso a redes sociais, nem dele próprio e nem por meio de terceiros, e que a carta lida pelo Zero Um foi uma forma de “burlar” essa proibição.
O pedido de Farias foi apresentado minutos após as 22h do sábado. Mais cedo, nesse mesmo dia, Flávio abriu uma live nas suas redes sociais para ler um documento intitulado “Carta ao povo brasileiro”, que teria sido escrito por seu pai. O senador, cuja campanha tem enfrentado uma série de revezes, disse que o ex-presidente pediu união em torno do seu nome como pré-candidato. Ele também disse que Bolsonaro o classificou como seu “porta-voz”. Sem citar nominalmente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Flávio mencionou “ataques” e medidas “orquestradas para boicotar” sua campanha.
Quando Moraes permitiu que Bolsonaro cumprisse em casa a pena de 27 anos e três meses a que foi condenado no caso do golpe de estado, proibiu o ex-presidente de ter redes sociais ou de se comunicar com o público. As visitas também foram proibidas — da Papudinha, vários encontros estavam acontecendo com o objetivo de costurar as candidaturas do PL às eleições deste ano. “A redação de carta destinada à leitura pública em transmissão ao vivo nas redes sociais de terceiro é exatamente a hipótese que as decisões deste Juízo buscaram coibir, com advertência expressa das consequências do descumprimento”, diz trecho do pedido apresentado pelo vice-líder do PT.
Ele também pediu que a classificação de Flávio como “porta-voz” do ex-presidente seja enquadrada como falta grave. “A pretensão declarada é a de estabelecer canal permanente de comunicação política do condenado com o eleitorado, por interposta pessoa, durante todo o período eleitoral, o que esvaziaria por completo a eficácia das medidas impostas por este Juízo e transformaria a prisão domiciliar em palanque”, argumentou o deputado.
O caso foi enviado ao gabinete de Moraes na manhã deste domingo, 12. Ele pode abrir prazo para que a Procuradoria-geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido. Apesar de estar encarcerado e cumprindo pena em regime domiciliar, Bolsonaro, assim como toda pessoa presa, tem direito de se comunicar com o mundo exterior. Caberá ao ministro avaliar se, no caso da carta lida pro Flávio, houve extrapolação desse direito.







