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Deputado Luiz Argôlo recebia dinheiro de doleiro, diz PF

Novo relatório destaca troca de mensagens entre Youssef e o parlamentar - que ele apelidou de bebê Johnson. Conclusões da polícia vão ser encaminhadas ao STF

Por Daniel Haidar, do Rio de Janeiro 15 Maio 2014, 21h45

Um relatório da Polícia Federal concluído nesta quinta-feira confirma que o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA) recebia dinheiro do doleiro Alberto Youssef, como revelou reportagem de VEJA. O juiz federal Sérgio Moro determinou a remessa ao Supremo Tribunal Federal (STF) das conclusões policiais e das transcrições de conversas telefônicas de Youssef em que Argôlo aparece como seu interlocutor do doleiro. Em decisão publicada nesta quinta-feira, Moro destaca que mensagens interceptadas na operação Lava-Jato revelaram indícios de negócios comuns do doleiro e do deputado. Como Argôlo possui foro privilegiado por ser parlamentar, só o STF poderá decidir se ele deve ser investigado por essas suspeitas de crime. Moro destaca que, em nenhum momento, o deputado foi alvo da operação e que só foi descoberto seu envolvimento com o doleiro porque os telefones de Youssef foram monitorados.

O relatório policial destaca a reportagem de VEJA que revelou o intenso relacionamento financeiro de Argôlo e Youssef. De acordo com a PF, eles trocaram 1.411 mensagens. O deputado usava o telefone funcional da Câmara para falar com o doleiro, mas também um telefone exclusivo para comunicação entre eles, cujos créditos eram pagos por Youssef – que em certas mensagens chamava o deputado de “bebê Johnson”. Em diversos momentos, Argôlo cobra entregas de dinheiro para si próprio e para outros. Um dos endereços de entrega foi a residência do parlamentar em Brasília, indicam os policiais.

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No dia 18 de setembro do ano passado, o deputado e Youssef combinaram a entrega de 270.000 reais ao parlamentar. Em 15 de outubro, combinaram novo repasse de recursos, com 40.000 reais que seriam para outras pessoas e de 20.000 a 30.000 reais para o próprio Argôlo. No dia 27 de fevereiro deste ano, o deputado cobrou o repasse de 280.000 reais para outra pessoa, mencionada apenas como “V”.

Uma das novidades do relatório é a revelação de que Youssef e Argôlo combinaram encontros com diretores de empreiteiras que são grandes fornecedoras da Petrobras e importantes doadoras de campanha. A polícia suspeita que no dia 14 de outubro de 2013 a dupla se reuniu com Mateus Coutinho, diretor-financeiro da OAS S.A., na casa do doleiro em Vila Nova Conceição, na capital paulista. No dia seguinte ao encontro, eles se divertiam com o fato de ter tomado uma garrafa de vinho Vega Sicilia de 3 mil reais.

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Durante as operações de busca e apreensão de documentos nos endereços de Youssef, a polícia apreendeu um cartão de visita de Coutinho em um escritório do doleiro. No dia 27 de novembro do ano passado, Youssef perguntou se Argôlo terminou uma reunião e informou, em seguida: “Estou na Angélica saindo do Matheus”. O escritório central da OAS fica na Avenida Angélica, em Higienópolis, região central de São Paulo. Outra suspeita da PF é de que, no dia 12 de março, Youssef esteve no escritório de Coutinho: “To no Matheus aguardando ele. Vai me atender”.

Já se sabe que a OAS depositou 1,6 milhão de reais em contas bancárias da MO Consultoria, uma das empresas de fachada comandadas pelo doleiro, de acordo com a investigação policial.

Também foram identificados contatos de Youssef com o empresário Ricardo Pessoa, sócio-diretor do grupo UTC/Constran. Para a polícia, as conversas indicam que Argôlo marcou uma reunião com o empresário no dia 14 de outubro. Youssef recebeu a seguinte mensagem, que a polícia suspeita ter sido enviada por Pessoa: “Essa moça está mandando msg (já enviou 4 so hoje) dizendo que você não apareceu. Abs RP”.

O juiz deu cinco dias para que o Ministério Público Federal emita parecer sobre o relatório policial. Depois desse prazo, os documentos serão finalmente remetidos ao STF.

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