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Deputado Luiz Argôlo recebia dinheiro de doleiro, diz PF

Novo relatório destaca troca de mensagens entre Youssef e o parlamentar - que ele apelidou de bebê Johnson. Conclusões da polícia vão ser encaminhadas ao STF

Um relatório da Polícia Federal concluído nesta quinta-feira confirma que o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA) recebia dinheiro do doleiro Alberto Youssef, como revelou reportagem de VEJA. O juiz federal Sérgio Moro determinou a remessa ao Supremo Tribunal Federal (STF) das conclusões policiais e das transcrições de conversas telefônicas de Youssef em que Argôlo aparece como seu interlocutor do doleiro. Em decisão publicada nesta quinta-feira, Moro destaca que mensagens interceptadas na operação Lava-Jato revelaram indícios de negócios comuns do doleiro e do deputado. Como Argôlo possui foro privilegiado por ser parlamentar, só o STF poderá decidir se ele deve ser investigado por essas suspeitas de crime. Moro destaca que, em nenhum momento, o deputado foi alvo da operação e que só foi descoberto seu envolvimento com o doleiro porque os telefones de Youssef foram monitorados.

O relatório policial destaca a reportagem de VEJA que revelou o intenso relacionamento financeiro de Argôlo e Youssef. De acordo com a PF, eles trocaram 1.411 mensagens. O deputado usava o telefone funcional da Câmara para falar com o doleiro, mas também um telefone exclusivo para comunicação entre eles, cujos créditos eram pagos por Youssef – que em certas mensagens chamava o deputado de “bebê Johnson”. Em diversos momentos, Argôlo cobra entregas de dinheiro para si próprio e para outros. Um dos endereços de entrega foi a residência do parlamentar em Brasília, indicam os policiais.

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No dia 18 de setembro do ano passado, o deputado e Youssef combinaram a entrega de 270.000 reais ao parlamentar. Em 15 de outubro, combinaram novo repasse de recursos, com 40.000 reais que seriam para outras pessoas e de 20.000 a 30.000 reais para o próprio Argôlo. No dia 27 de fevereiro deste ano, o deputado cobrou o repasse de 280.000 reais para outra pessoa, mencionada apenas como “V”.

Uma das novidades do relatório é a revelação de que Youssef e Argôlo combinaram encontros com diretores de empreiteiras que são grandes fornecedoras da Petrobras e importantes doadoras de campanha. A polícia suspeita que no dia 14 de outubro de 2013 a dupla se reuniu com Mateus Coutinho, diretor-financeiro da OAS S.A., na casa do doleiro em Vila Nova Conceição, na capital paulista. No dia seguinte ao encontro, eles se divertiam com o fato de ter tomado uma garrafa de vinho Vega Sicilia de 3 mil reais.

Durante as operações de busca e apreensão de documentos nos endereços de Youssef, a polícia apreendeu um cartão de visita de Coutinho em um escritório do doleiro. No dia 27 de novembro do ano passado, Youssef perguntou se Argôlo terminou uma reunião e informou, em seguida: “Estou na Angélica saindo do Matheus”. O escritório central da OAS fica na Avenida Angélica, em Higienópolis, região central de São Paulo. Outra suspeita da PF é de que, no dia 12 de março, Youssef esteve no escritório de Coutinho: “To no Matheus aguardando ele. Vai me atender”.

Já se sabe que a OAS depositou 1,6 milhão de reais em contas bancárias da MO Consultoria, uma das empresas de fachada comandadas pelo doleiro, de acordo com a investigação policial.

Também foram identificados contatos de Youssef com o empresário Ricardo Pessoa, sócio-diretor do grupo UTC/Constran. Para a polícia, as conversas indicam que Argôlo marcou uma reunião com o empresário no dia 14 de outubro. Youssef recebeu a seguinte mensagem, que a polícia suspeita ter sido enviada por Pessoa: “Essa moça está mandando msg (já enviou 4 so hoje) dizendo que você não apareceu. Abs RP”.

O juiz deu cinco dias para que o Ministério Público Federal emita parecer sobre o relatório policial. Depois desse prazo, os documentos serão finalmente remetidos ao STF.

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