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Deputada relata cobrança de ‘pedágio’ para campanha em favela do Rio

Cidinha Campos (PDT) afirmou que associação ligada a milícia cobra 100.000 reais de candidatos interessados em colocar placas na região

Os moradores de favelas do Rio de Janeiro estão acostumados com o descaso de políticos. Mas em ano eleitoral isso costuma ser relativizado. Os candidatos voltam a se preocupar com a rotina nesses lugares, porque tentam fazer campanha e são barrados ou achacados em currais eleitorais dominados por traficantes ou milicianos. Nesta eleição, relatos das excelências dimensionam o preço do “pedágio” para entrar em territórios onde o Estado está ausente.

A deputada estadual Cidinha Campos (PDT) afirmou, em entrevista ao jornal Extra, que teve placas retiradas e dois cabos eleitorais ameaçados por um motoqueiro de fuzil em punho na favela Águia de Ouro, em Del Castilho, Zona Norte do Rio. De acordo com a parlamentar, a Associação de Moradores de Favelas de Del Castilho distribuiu um documento com uma espécie de censo eleitoral, no qual aponta 111.000 eleitores aptos a votar nas oito comunidades, controladas por uma milícia. A Polícia Civil vai investigar se procedem denúncias de que essa associação cobra “pedágio” de 100.000 reais de candidatos interessados em colocar placas na região. Cidinha já prestou depoimento à polícia. Outras testemunhas devem ser interrogadas na 44ª DP (Inhaúma), comandada pelo delegado José Luiz Duarte.