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Depois do desabamento, corrida para regularizar obras

Em três dias, o CREA recebeu 160 denúncias de reformas suspeitas no Rio

Por Cecília Ritto - 31 jan 2012, 12h05

Os três dias úteis que seguiram o desabamento do trio de edifícios no centro do Rio foram de preocupação para quem tem obras na vizinhança.. O alerta foi acionado e os cariocas correram para verificar se as reformas de prédios próximos estão regularizadas. Os edifícios caíram na noite de quarta-feira, deixando pelo menos 17 mortos. Na quinta, sexta e segunda, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ) recebeu 160 denúncias de obras. Em tempos de normalidade, esse número costuma não passar de seis.

Nesta terça-feira, o CREA foi vistoriar duas obras no centro. Uma fica na Rua Uruguaiana, onde operários quebram telhas. O conselho verificou que a obra tem um engenheiro responsável e a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). “O profissional fez os cálculos e disse que não há riscos. A responsabilidade é dele”, diz o presidente da comissão de Análise de Prevenção de Acidente do CREA, Luiz Antonio Cosenza.

Um edifício comercial na Rua Buenos Aires também foi vistoriado. Vizinhos estão preocupados com as obras que vão transformar os 10 andares do prédio em vãos-livres. O CREA confirmou a existência de um engenheiro responsável pelas transformações na construção. A lembrança do que ocorreu no edifício Liberdade, de 20 andares, assusta quem convive com o quebra-quebra da obra ao lado. No prédio que desabou, os seis andares da empresa TO- Tecnologia Organizacional eram vãos-livres. Ou seja, não havia estruturas que dividissem o andar.

O conselho, ao verificar que a obra está sob a responsabilidade de um engenheiro, encerra o seu trabalho. Em 2011, a instituição tinha em mãos 30 mil demandas para verificar se as obras tinham um “dono” especializado no assunto. Foram detectadas 5 mil sem alguém que pudesse se responsabilizar pelos cálculos e derrubadas de paredes. “Isso sem contar as acontecem e nós não ficamos sabendo”, afirma Cosenza.

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Serviço – Qualquer obra que inclua a quebra de paredes precisa de um engenheiro responsável. Em uma troca de azulejos ou pintura, por exemplo, não é preciso. No caso da TO, as obras do 3º e do 9º andares começaram sem um laudo técnico de um engenheiro e sem a ART. Em ambos, ao menos o banheiro foi mudado de lugar, o que implicou na quebra de paredes de tijolos. Para um dos sócios-diretores Sérgio Alves, essas paredes não eram estruturais. Mas, na década de 1940, época da construção do edifício Liberdade, muitas delas foram usadas para dar sustentabilidade.

O prédio passou por uma série de modificações ao longo do tempo. Três andares receberam acréscimos, janelas foram abertas sem autorização da prefeitura e algumas obras internas não apresentaram a regulamentação necessária para ser iniciada. O medo de que o mesmo esteja acontecendo em outros edifícios do Rio aumentou a demanda do CREA. O primeiro passo é procurar o conselho para denunciar. Isso pode ser feito pelo telefone 2179-2000, no ramal da fiscalização. O conselho consegue saber se há ART para o prédio. Caso não tenha, vai ao local para saber se existe um responsável técnico. Se não houver, é dada uma notificação com o prazo de 10 dias para a contratação de um profissional. É um jeito de garantir que um engenheiro, e não qualquer outro funcionário- muitas vezes sem qualquer formação acadêmica- cuide da obra do seu vizinho.

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