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Demora na resolução de casos angustia familiares de crianças mortas no Rio

'Tudo o que quero é uma resposta', diz mãe de Kauan Peixoto, de 12 anos, uma das vítimas de disparos em comunidades

Há uma semana, a morte da menina Ágatha Vitória Sales Felix, de 8 anos, causa comoção no país e no mundo, e vem pautando o debate da segurança pública no Rio de Janeiro. A menina, atingida por um tiro de fuzil quando estava dentro de uma Kombi acompanhada pela mãe, Vanessa Francisco Sales, na favela da Fazendinha, no Complexo do Alemão, foi a quinta criança morta a bala no Rio em 2019. A tragédia, classificada como “isolada” pelo secretário de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, tem se tornado uma constante no estado – desde antes do mandato do governador Wilson Witzel (PSC), que vem sendo criticado pela política bélica de “atirar na cabecinha” de bandidos.

Mãe do menino Kauan Peixoto, de 12 anos, morto na comunidade Chatuba de Mesquita, na Baixada Fluminense, Luciana Peixoto, de 33 anos, diz que a única coisa que sabe sobre o caso é que ele está em andamento. “A lei é muito lenta e, enquanto os casos não são elucidados, vemos mais e mais crianças morrendo”, disse a dona de casa. Segundo Luciana, nem a reconstituição da morte de Kauan foi feita. A criança morreu após ser baleada no abdômen, na perna e no pescoço no dia 16 de março deste ano. A Polícia diz que ele foi alvejado durante um confronto entre PMs e criminosos. “Ninguém nos procurou para pedir desculpas ou prestar auxílio psicológico. Tudo o que quero é uma resposta, saber o que de fato aconteceu. Mas tenho certeza que foi a polícia. Testemunhas que estavam na rua disseram que meu filho, um menino de 12 anos, chegou a ser algemado e jogado dentro da viatura ainda vivo. A vida dele foi interrompida por ter saído da casa do pai para comprar um lanche”, desabafa.

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Um dos casos mais emblemáticos foi o da menina Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, morta dentro da escola, em Acari, Zona Norte do Rio, em 30 de março de 2017. Irmão mais velho de Maria Eduardo, Uidson Ferreira, de 35 anos, diz que mesmo depois de dois anos o processo sobre a morte da irmã não anda.

Nascida e criada no Complexo da Maré, Bruna da Silva, de 37 anos, enterrou o filho Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, no dia 20 de junho de 2018. Antes de morrer, Marcos Vinícius teria dito à mãe que o disparo que o atingiu teria partido de um blindado da polícia. O menino, morto com a blusa da escola, chegou a ser vítima de fake news que o associava ao tráfico de drogas. “Consegui limpar a imagem do meu filho e até hoje lembro da pergunta que ele me fez: ‘Mãe, eles não viram que eu estava com a camisa da escola?’ Não recebi nem um pedido de desculpas ou indenização do estado pela morte do meu filho”, conta.