Clique e assine com 88% de desconto

Delegado publica foto de apresentação que usava fogos na boate Kiss

Imagem de 2012 foi postada nesta madrugada na página do delegado no Facebook; empresa disse que vai abandonar apresentações com pirotecnia

Por Jean-Philip Struck - 31 jan 2013, 16h22

Apresentações que utilizavam pirotecnia eram comuns dentro da boate Kiss, de Santa Maria, onde um incêndio matou 235 pessoas na madrugada do último domingo.

Na madrugada desta quinta, o delegado regional do município, Marcelo Arigony, postou em sua conta no Facebook uma foto que mostra funcionários de uma empresa de entretenimento manuseando no interior da boate equipamentos que produzem labaredas de fogo. Na imagem aparecem pelo menos duas pessoas manuseando os equipamentos que produzem chamas. Outra segura um sinalizador. As chamas e faíscas quase tocam teto. “Tirem suas próprias conclusões”, escreveu Arigony.

O álbum de onde a imagem que mostra as chamas foi originalmente publicada aponta que ela foi registrada em outubro de 2012, durante uma festa chamada FEO 2012 , que aconteceu na boate Kiss. Na foto, é possível ver o logo da boate num dos monitores.

A apresentação pirotécnica havia sido realizada por uma empresa chamada Fuel Entretenimento, sediada em Santa Maria e cuja logomarca tem o desenho de uma chama. Seu slogan é “o combustível ideal para a sua festa”. Na sua página na internet, há vídeos e fotos de apresentações de funcionários do grupo. Neles aparecem homens uniformizados acedendo labaredas no interior de bares e restaurantes e belas mulheres em trajes mínimos distribuindo tequila para clientes por meio de pistolas de água.

Publicidade

Nesta quinta-feira, várias das imagens da festa que mostram o manuseio de fogo no interior da Kiss e de outras boates foram retiradas do Facebook pela empresa. Na sua página nas redes sociais, a empresa anunciou na quarta-feira, três dias depois da tragédia de Santa Maria, que decidiu abandonar as apresentações pirotécnicas no interior de lugares fechados. “Ainda que sempre tenha trabalhado com uma atenção especial à segurança, sentimos a necessidade de repensar as atividades realizadas”, disse a empresa em comunicado publicado na rede.

Em coletiva na quarta-feira, o advogado de Elissandro Callegaro Spohr, um dos sócios da boate, havia dito que seu cliente não sabia que a banda Gurizada Fandangueira iria utilizar pirotecnia na apresentação de domingo. As investigações apontam que as faíscas produzidas por um fogo utilizado pela banda atingiram o revestimento acústico do teto da boate, que era revestido com poliuretano. A combustão do material, que era irregular, foi a principal causa da tragédia na boate, já que a sua queima produziu um gás tóxico que foi responsável pela morte de 90% das 235 vítimas do incêndio.

A defesa também disse que o dono nunca teria autorizado a apresentação de pirotecnia na boate. “Ele não sabia que eles iriam fazer isso”, disse o advogado Jader Marques. Mas, nos últimos dias, outras fotos publicadas na internet mostram que o uso de equipamentos pirotécnicos no interior da Kiss era comum. Nelas, garçons manuseiam sinalizadores, que também eram acesos em baldes de espumantes.

Publicidade