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Delegado diz que Bola simulou jogar mão de Eliza aos cães

Cena descrita pelo primo de Bruno consta no relatório final das investigações sobre o caso, mas não aconteceu, admitiu Edson Moreira neste 3º dia de júri

Por Pâmela Oliveira, de Contagem 24 abr 2013, 21h44

O delegado aposentado Edson Moreira, que presidiu as investigações sobre a morte de Eliza Samudio, admitiu nesta quarta-feira que a cena mais emblemática e macabra em torno da morte da jovem foi somente uma “simulação” de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que está sendo julgado como executor da ex-amante de Bruno Fernandes. Eliza não teve uma das mãos jogadas aos cães da raça rottweiler que o ex-policial mantinha em seu quintal – como ele mesmo fez acreditarem Macarrão e Jorge Luiz, o primo menor do goleiro que contou tudo à polícia.

Para Moreira, que depôs por mais de cinco horas neste terceiro dia do julgamento de Bola, o réu asfixou Eliza, deixou Macarrão e Jorge sozinhos por alguns momentos, e depois voltou com um saco preto no qual dizia estar o corpo da vítima. Em seguida, ele teria feito um movimento como se estivesse lançando algo aos cães, e dito: “Olha a mão dela”. Encenação, disse o delegado aposentado. “Estamos diante de um especialista na arte de matar e dissimular. Ele não queria que os dois soubessem o destino do corpo. E os fazendo acreditar que a mão tinha sido jogada aos cães, ele conseguiria tirar a credibilidade da narrativa das duas testemunhas, que ficaram sem saber o destino do corpo.”

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A declaração foi resultado da pressão feita por Ércio Quaresma, defensor do réu, que está determinado a desqualificar todo o trabalho de investigação feito após o crime pela Polícia Civil de Contagem, coordenada por Moreira. O advogado não escondeu a satisfação ao ver a testemunha usar este argumento para justificar por que não foi encontrado sangue no sítio do ex-policial. “O senhor, um delegado experiente, acreditou em dissimulação, a ponto de incluí-la no inquérito policial? No dia em que o inquérito foi concluído, o senhor deu uma entrevista coletiva afirmando que Eliza Samudio tinha sido executada, esquartejada e que uma de suas mãos havia sido lançada aos cães”, provocou Quaresma.

O advogado aproveitou para alfinetar o promotor, afirmando que pretende mostrar entrevistas em que Henry Castro aparece contando a história da mão jogada aos animais famintos. Nesta quinta-feira, Moreira volta a ser interrogado – ainda por Quaresma, que é o primeiro a perguntar por ter arrolado a testemunha. No fim da tarde desta quarta, o próprio defensor pediu que a juíza Marixa Fabiane interrompesse a sessão para evitar que os jurados se cansassem (mais). O show, ou circo, ainda vai continuar, portanto.

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Ao fim da audiência, ainda no Fórum de Contagem, Henry Castro minimizou o que poderia ser visto como uma primeira vitória de Quaresma, e afirmou que a promotoria trabalha exclusivamente com o que está no inquérito. A conclusão da investigação policial, de acordo com ele, deixa claro que os detalhes sobre os instantes seguintes ao assassinato de Eliza foram dados pelo primo de Bruno. “A promotoria de Justiça não pode trabalhar com elucubrações. Devemos entender que o doutor Edson Moreira apresentou a versão que ele compreende como concebível . Ele não fez uma afirmação.”

Ainda conforme a acusação, o principal motivo para não ter sido encontrado sangue na casa de Bola é o fato de que a perícia só foi realizada no local quase um mês após o crime. Além disso, Bola, “como matador experiente e ex-policial”, tem conhecimento de técnicas para limpar vestígios de sangue, completa Castro.

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