Delator da máfia da merenda cita propina a ex-secretário de Alckmin

Em depoimento aos investigadores da Operação Alba Branca, Cássio Chebabi disse que uma cooperativa pagou 100.000 reais a Herman Voorwald, ex-secretário da Educação

Por Da Redação - 30 jan 2016, 10h31

O ex-presidente da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) Cássio Izique Chebabi, declarou a investigadores da Operação Alba Branca que o lobista Marcel Ferreira Júlio lhe contou que o ex-secretário estadual da Educação do governo Geraldo Alckmin, Herman Voorwald, “recebeu 100.000 reais” para não contratar a Coaf e manter negócio com uma antiga fornecedora da pasta. Chebabi fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo dois dias depois da deflagração da operação da Polícia Civil que investiga fraudes em contratos para fornecimento de merenda a escolas estaduais paulistas. Ao menos 22 prefeituras e contratos da Secretaria da Educação estão sob investigação.

Em seu depoimento à polícia, o ex-presidente da cooperativa também disse que um vendedor da Coaf, César Bertholino, foi outro envolvido no escândalo a lhe relatar a suposta propina ao ex-secretário. Herman Voorwald deixou o comando da Educação em dezembro, em meio ao projeto de reorganização escolar que provocou protestos de estudantes. Ele voltou a dar aulas de na Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, onde reside. O ex-secretário desafia os acusadores a provar o que dizem.

Ao mencionar Voorwald, Chebabi cita o presidente da União dos Vereadores do Estado de São Paulo (Uvesp), Sebastião Misiara. Outros investigados disseram que Misiara seria uma espécie de “intermediador” da Coaf, abrindo espaço para a cooperativa em prefeituras e no Estado. “No final de 2013, Sebastião Misiara intermediou junto à Secretaria de Educação do governo do Estado de São Paulo a contratação da Coaf para fornecimento de suco de laranja no valor de 8 milhões de reais e, muito embora tenha sido feito empenho pelo governo federal naquele valor, justamente pela falta de acerto de propina o pagamento não foi realizado nem o produto fornecido”, afirmou Chebabi. O presidente da Uvesp nega ter operado em favor da Coaf.

Segundo o delator, a Coaf acabou arcando com um estoque superior a 50.000 reais mensais do produto. “Isso porque a empresa que fornecia anteriormente à Secretaria de Estado da Educação, ou seja, há mais de 20 anos, chamada Citro Cardilli, já tinha acerto com aquele ente público, de sorte que seus vendedores César (Bertholino) e o lobista Marcel disseram que a mesma pagou 100.000 reais para o então secretário de Educação Herman não assinar o contrato com a Coaf e realizar novo procedimento para contratação desta empresa, o que de fato se deu”, relatou Chebabi.

Publicidade

LEIA TAMBÉM:

Máfia da merenda: preso fecha acordo de delação premiada

Máfia da merenda: secretaria da Educação travou contratos por propina, diz delator

Em conversa grampeada, investigados citam ex-chefe de gabinete da Secretaria da Educação como ‘nosso homem’

Publicidade

Operação Alba Branca – Conforme revelou a coluna Radar, de Vera Magalhães, a operação Alba Branca resultou na prisão de seis pessoas suspeitas de fraudes em contratos para o fornecimento de merenda em troca de pagamento de propina para agentes públicos.

Ainda segundo o Radar, interceptações telefônicas dos integrantes da Coaf e depoimentos dos presos citam, além de Voorwald, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Fernand Capez, e o Secretário de Logística e Transportes do governo Alckmin, Duarte Nogueira. Também foram mencionados os deputados federais Baleia Rossi (PMDB) e Nelson Marquezelli (PTB), o deputado estadual Luiz Carlos Gondim (SD), o ex-chefe de gabinete da Casa Civil paulista Luiz Roberto dos Santos, o “Moita”, e o ex-chefe de gabinete da Secretaria de Educação de São Paulo, Fernando Padula, exonerado na última quinta-feira.

(Com Estadão Conteúdo)

Publicidade