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Defesa manda mais soldados para o ES e monitora outros estados

Ministro Raul Jungmann critica paralisação da PM e diz que contingente, que chega a 1.850 militares, pode ficar no estado por mais tempo que o previsto

Por Da redação 8 fev 2017, 16h41

O ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS), disse ter autorizado a ida de mais 550 homens das Forças Armadas para o Espírito Santo, atendendo ao pedido do governador em exercício, César Colnago (PSDB). Disse também que outros 100 homens da Força Nacional estão sendo enviados para lá, a fim de prestar segurança, só que no interior do estado. Com isso, o número de militares federais reforçando a segurança sobe para 1850.

Há cinco dias, o caos se instalou no Espírito Santo, após o início do motim de policiais militares, que estão aquartelados e sem fazer o patrulhamento nas ruas desde então. Para Jungmann, “o policial que, mesmo com justa reivindicação, permite que cidadãos inocentes sejam assassinados, quer saiba, quer não, se alia aos criminosos, a quem deveria combater”.

Depois de classificar a greve como “um duplo desrespeito”, o ministro explicou: “Primeiro, desrespeito ao compromisso do policial de proteger vida e integridade das pessoas. Em segundo lugar, desrespeito ao cidadão contribuinte que, em última análise, paga os salários dos policiais”, afirmou. De acordo com ele, “por mais justa que seja a reivindicação, ela não pode nunca, nunca, possibilitar atentar contra a vida e a segurança, que são a razão de ser das polícias e dos policiais”.

A preocupação do governo diante da situação no estado aumentou, com a decisão de parte da Polícia Civil de paralisar os trabalhos até a meia-noite de hoje, em protesto contra a morte de um colega de trabalho, quando se deslocava para casa. Por causa da insegurança e da criminalidade, mais uma vez, as ruas de Vitória (ES) amanheceram vazias nesta quarta-feira, com o comércio fechado e boa parte da população assustada, sem sair de casa.

  • Segundo o ministro, apesar de, inicialmente, o decreto que autoriza a ida das tropas federais a permanecer no estado ter prazo de dez dias, esse período pode ser estendido. “Se for necessário, prorrogaremos, sem problemas”, avisou.

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    De acordo com ele, as informações que chegaram ao governo federal apontam que já houve redução dos homicídios e de número de arrastões com a chegada dos militares às ruas – desde sábado, início da crise, 95 pessoas foram mortas no estado. Os 650 homens autorizados nesta quarta-feira se juntarão aos mil homens do Exército, que já estão lá, e aos 200 da Força Nacional.

    Monitoramento

    Jungmann evitou falar de uma preocupação que existe no Palácio do Planalto com a possibilidade de o movimento dos PMs do Espírito Santo servir de estímulo aos policiais militares de outros estados, provocando um efeito cascata. Segundo ele, o governo está “monitorando” a situação em todas as unidades da federação.

    Em relação ao Rio de Janeiro, onde já existem advertências de PMs sinalizando que podem parar também a partir da próxima sexta-feira, por causa do atraso nos pagamentos dos salários, Jungmann advertiu que “são falsas” as notícias que estão sendo divulgadas pelas redes sociais. “Isso é uma atitude criminosa”, afirmou ele, acrescentando que conversou com o ministro da Justiça interino, José Levi do Amaral, sobre a possibilidade de colocar a Polícia Federal e a própria polícia estadual “no encalço desses criminosos que estão tentando disseminar estas notícias de greve no Rio para causar pânico à população”.

    O ministro lembrou que o Ministério da Justiça já estava monitorando isso e está empenhado em descobrir quem são as pessoas que estão assustando a população. De acordo com ele, não há previsão de envio de tropas federais ao Rio de Janeiro e ele acredita que a situação será contornada, já que o governo do estado lhe informou que está liberando o pagamento de salários atrasados para a área de segurança.

    Na manhã desta quarta-feira, a própria Polícia Militar do Rio de Janeiro informou, em nota, que são falsas as informações  que convocam a categoria para uma paralisação na sexta-feira a partir das 6 horas. A direção da PM apelou ainda para que a tropa reflita sobre medidas que possam causar danos irreparáveis à sociedade e procurem outra forma de reivindicar seus direitos.

    (Com Estadão Conteúdo)

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