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Defesa de Lula mantém clima hostil com Moro em audiências

Houve mais bate boca durante oitivas dos delatores Pedro Corrêa, Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e Nestor Cerveró. Defesa questionou delações

Por João Pedroso de Campos Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 19h10 - Publicado em 24 nov 2016, 15h44

A segunda leva de depoimentos de testemunhas de acusação no processo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu na Operação Lava Jato teve mais bate boca entre o juiz federal Sergio Moro e os advogados do petista. O ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP-PE), o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o ex-gerente da estatal Pedro Barusco, todos delatores da Lava Jato, foram ouvidos ontem. Nesta quinta-feira, foi o ex-diretor da área Internacional da petrolífera Nestor Cerveró quem prestou depoimento.

Nas oitivas dos quatro delatores, antes mesmo que eles tomassem a palavra, os advogados de Lula pediam a Moro para contraditar o arrolamento deles como testemunhas pelo Ministério Público Federal (MPF).

Cristiano Zanin Martins, Jair Cirino dos Santos, José Roberto Batochio, Juarez Cirino dos Santos e Roberto Teixeira, todos defensores do ex-presidente, repetiram nos quatro depoimentos a tese de que, enquanto colaboradores, Corrêa, Costa, Barusco e Cervó só replicariam o conteúdo dos anexos de seus acordos de delação e, portanto, teriam as oitivas limitadas. O juiz federal discordou nas quatro ocasiões e ordenou que a audiência prosseguisse.

O depoimento mais tumultuado foi o de Pedro Corrêa, o único entre as quatro testemunhas a ainda não ter a colaboração premiada homologada pelo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki. Os advogados de Lula, o magistrado e as procuradoras Laura Gonçalves Tessler e Jerusa Burmann Viecili, do Ministério Público Federal, discutiram durante 15 minutos até que o ex-deputado proferisse suas primeiras palavras ao microfone.

A discussão girou em torno da delimitação das perguntas do Ministério Público e do magistrado aos três contratos da empreiteira OAS em que há suspeita de pagamento de favorecimento ao ex-presidente por meio do triplex do Guarujá, mesma controvérsia que marcou o depoimento do ex-senador Delcídio do Amaral, na terça-feira.

Durante o bate boca com os defensores de Lula, sobretudo Juarez Cirino e Cristiano Zanin, Sergio Moro chegou a interromper duas vezes a gravação do depoimento e negar a palavra à defesa. Em alguns momentos, sobretudo quando interrompido pela defesa do petista, Moro levantou o tom da voz.

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O juiz Moro afirmou que a defesa de Lula “tumultuava” a audiência, e ouviu de Zanin que “Vossa excelência disse há pouco que a defesa não tinha argumentos e por isso estava tumultuando, então ao nosso ver isso mais uma vez configura pré-julgamento”. “Peço que voltem às questões a serem colocadas à testemunha e parem de tumultuar a audiência. Doutor, pode assistir qualquer audiência deste processo e nas outras ações penais não existe esse comportamento”, rebateu o magistrado.

No termo em que registrou a audiência de ontem na 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro escreveu que “em vista dos inúmeros incidentes levantados pela Defesa de Luiz Inácio Mariza Leticia que impediram normal colheita do depoimento da testemunha Pedro Corrêa, não foi possível encerrar as oitivas na presente data. Assim, redesigno oitiva da testemunha Nestor Cuñat Cerveró para dia 24/11/2016, às 11:00, para sua inquirição”.

Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e Nestor Cerveró, os três delatores com acordos homologados pelo STF, ainda foram questionados pelos advogados do ex-presidente sobre se foram convidados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos ou outros países a firmarem acordos de colaboração também naquele país.

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Paulo Roberto Costa respondeu que assinou um acordo de colaboração com os Estados Unidos, com o aval da Procuradoria-Geral da República, enquanto Barusco afirmou que está negociando colaborações com mais de um país estrangeiro. Sob orientação de sua defesa, o ex-gerente da Petrobras não quis dar detalhes sobre os acordos. Cerveró também não deu informações sobre acordos negociados no exterior.

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