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Defensoria Pública pede bloqueio de bens dos donos da boate Kiss

Objetivo, segundo o defensor-geral do estado do Rio Grande do Sul, é garantir recursos para o pagamento de futuras indenizações às vítimas do incêndio que matou 231 jovens

“Estamos tomando a medida tanto pelo número de pessoas vitimadas quanto pela atitude dos donos de não colaborar com as investigações. Tanto que estão presos”, disse Nilton Leonel Maria

A Defensoria Geral do estado do Rio Grande do Sul entrou, na tarde desta segunda-feira, com um pedido de bloqueio dos bens dos donos da boate Kiss, onde morreram 231 pessoas em um incêndio na madrugada de domingo. O objetivo da medida é garantir recursos para custear as indenizações às vítimas, caso as investigações comprovem que houve dolo ou culpa. No momento, há suspeita de superlotação, desrespeito às normas de segurança, uso indevido de fogos de artifício em local fechado e adulteração de provas. Dois sócios da boate estão presos provisoriamente.

Reportagem do site de VEJA mostra que computadores, câmeras de vídeo e materiais que poderiam comprovar irregularidades no funcionamento da casa foram retirados do local antes da chegada dos peritos. Os donos da boate são suspeitos de adulteração de provas. A polícia obteve na Justiça mandados de busca e apreensão dirigidos a uma série de endereços de Santa Maria e cidades vizinhas, para tentar recuperar essas provas.

De acordo com o defensor-geral do estado, Nilton Leonel Maria, a postura dos donos da boate reforça a necessidade desse tipo de ação. “Trata-se de uma medida cautelar ajuizada, que visa a bloquear os bens (dos proprietários da boate) para garantir o pagamento de futuras indenizações. Estamos tomando a medida tanto pelo número de pessoas vitimadas quanto pela atitude dos donos de não colaborar com as investigações. Tanto que estão presos”, disse.

Nilton Leonel Maria afirmou ainda que espera uma decisão da Justiça entre a noite desta segunda-feira e a tarde de terça-feira. Segundo o defensor-geral do estado, um grupo de defensores ficará em Santa Maria para analisar a responsabilidade de demais envolvidos, pessoas ou instituições. “Caso fique comprovada a negligência, outras pessoas, físicas ou jurídicas, podem vir a ser incluídas (no pedido de bloqueio de bens)”, disse.

A decisão está nas mãos do juiz Afif Jorge Simões Neto, que está de plantão no fórum de Santa Maria. Caso o magistrado aceite o pedido de bloqueio de bens, os donos ficarão impossibilitados de transferir ou se desfazer de todo o patrimônio, incluindo casas, automóveis e outros bens.

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