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Decotelli atualiza currículo com cargo de ministro da Educação

Professor ocupou posição no governo Bolsonaro entre 25 e 30 de junho; demissão foi causada por inconsistências em formações acadêmicas

Por Da Redação - 4 jul 2020, 18h30

O professor Carlos Alberto Decotelli atualizou seu currículo na plataforma Lattes ligada ao Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na última sexta-feira, 3, com a informação de que ocupou o cargo de ministro da Educação entre 25 e 30 de junho. Apesar de ter se reunido com assessores no prédio da pasta e mantido reuniões por cinco dias, Decotelli nunca foi empossado.

O professor foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), chegou a ser nomeado, mas a cerimônia de posse foi suspensa após a divulgação de uma série de inconsistência em seu currículo, que apresentava diversas informações exageradas.

Quando anunciado, o professor teve títulos acadêmicos listados pelo presidente da República, incluindo um doutorado na Universidade de Rosário, na Argentina, e um pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, na Alemanha. Logo que foi anunciado, o reitor da Universidade de Rosário usou seu Twitter para dizer que Decotelli não concluiu a formação.

Justificativas do ministro

Notícias divulgadas pela imprensa citam suposto plágio na dissertação de mestrado de Decotelli, obtido na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Após um encontro com o presidente, no Palácio do Planalto, Decotelli deu entrevista a jornalistas e afirmou ter obtido os créditos do doutorado na Argentina, mas disse que não chegou a defender uma versão final da tese. A banca que analisou seu trabalho pediu “readequações” na tese, mas o ministro disse que precisou voltar ao Brasil por conta de “dificuldades financeiras” e que não retornou para apresentar o texto.

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“A banca falou que a tese tinha um ponto de corte muito longo e me mandou fazer readequações. Essa foi a recomendação formal da banca. [Mas] Eu precisava voltar ao Brasil, porque toda a despesa foi pessoal, não havia bolsa. Com dificuldade, não mais voltei. Eu fiquei com o diploma de créditos concluídos, posso apresentar a vocês”, afirmou.

Sobre o pós-doutorado na Alemanha, o ministro da Educação também argumentou que a pesquisa foi concluída, apesar de não ter sido oficialmente considerada um título de pós-doutorado. “A pesquisa foi concluída? Foi. A estrutura da pesquisa, do pós-doutorado. Não tem sala de aula, não tem nota de uma disciplina, é uma orientação. Foi caracterizado que, quando foi concluído o trabalho, a pesquisa tinha que ser registrada em um cartório acadêmico. E você tem a pesquisa lá, registrada [no cartório]. Agora, o pós-doutorado é um título de pesquisa. Se você olhar o documento de Rosário, vai ver que os créditos foram concluídos”, disse.

Já sobre a acusação de plágio, o ministro negou qualquer tipo de cópia, e destacou que pode ter havido uma “distração” nas citações bibliográficas e revisão do texto. “Quando você escreve, tem que ter disciplina mental para escrever, revisar e mencionar o que citar. Cuidado. É possível haver distração? Sim, senhora. Hoje, a senhora tem mecanismos para verificar, [tem] softwares. Mas naquela época, pela distração. Não houve plágio, porque o plágio é quando faz ‘Control + C, Control + V’, e não foi isso”, justificou aos jornalistas.

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