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De Doca a André do Rap: os criminosos que seguem à solta fugindo da Justiça

Brasil tem quase 300 mil mandados de prisão sem cumprimento; lista tem foragidos ligados ao tráfico internacional de droga, bicheiros e assassinos comuns

Por Isabella Alonso Panho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jan 2026, 09h00 | Atualizado em 1 fev 2026, 09h28
De Doca a André do Rap: os criminosos que seguem à solta fugindo da Justiça Priorizar nos meus resultados Google

O Brasil entra em 2026 com a marca de quase 300 mil mandados de prisão em aberto sem cumprimento. Entre as inúmeras dificuldades que o sistema de Justiça tem para reduzir esse número estão a escassez de investimentos em inteligência (para viabilizar investigações complexas e demoradas) e a ausência de um banco de dados unificados com as condenações criminais.

Há algumas iniciativas nesse tom, como o Projeto Captura, do governo federal, que reúne os oito criminosos mais procurados de cada estado, e o Banco Nacional de Mandados de Prisão, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que reúne as ordens prisionais. No entanto, nenhum deles dá uma visão global e unificada dos criminosos e dos crimes que foram cometidos por eles — tema de reportagem da edição nº 2980 de VEJA.

Hoje, o criminoso mais procurado do país é o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido pelas alcunhas de Doca, Urso ou Doca da Penha. Ele é natural da Paraíba, mas fez a vida no Rio de Janeiro. Apesar de ter 36 mandados de prisão nas costas e 269 anotações criminais, Doca só foi preso uma vez, em 2007, durante uma operação policial no Rio. Ele ficou 9 anos preso, obteve o direito de ir para o semiaberto, mas, em 2017, parou de prestar contas à Justiça e se tornou oficialmente um foragido.

A operação Contenção, nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro do ano passado, tinha o objetivo de prendê-lo. Mais de cem pessoas morreram, mas o traficante segue sem ser encontrado. O Disque-Denúncia do Rio oferece uma recompensa de 100 000 reais para quem souber onde ele está. É a mais alta do país. Doca é o número 2 do Comando Vermelho.

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Doca
Doca, principal chefe do Comando Vermelho alvo de operação no Rio (./Reprodução)

Outro foragido famoso é André de Oliveira Macedo, o André do Rap. Segundo as investigações, ele é uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital, o PCC, cujo foco é o tráfico de drogas internacional. Por isso, há indícios de que Macedo tenha vínculos inclusive com a máfia italiana. Ele estava preso e obteve uma liminar em um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021. A decisão foi revogada no dia seguinte, mas foi tempo o bastante para André do Rap sumir do mapa. As investigações sobre o paradeiro dele são sigilosas, mas não há notícia de onde ele possa estar. 

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Na longa lista de foragidos da Justiça, estão também três envolvidos com a morte do delator do PCC, Vinicius Gritzbach, assassinado à luz do dia no aeroporto de Guarulhos, o maior do país. São procurados pela Justiça: Diego dos Santos Amaral, o Didi, um dos supostos mandantes, Emilio Carlos Gongorra Castilho, o João Cigarreira, traficante do PCC e mandante principal do crime e Kaue do Amaral Coelho, olheiro no aeroporto.

Entre os procurados do Rio de Janeiro, estão dois bicheiros famosos: Adilson Oliveira Coutinho Filho e Bernardo Bello
Entre os procurados do Rio de Janeiro, estão dois bicheiros famosos: Adilson Oliveira Coutinho Filho e Bernardo Bello (MJSP/Reprodução)
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Apesar dos envolvidos com o tráfico serem os criminosos mais conhecidos, a lista de procurados é composta, em sua maioria, por pessoas que cometeram crimes comuns. Willian Gaona Becerra, um dos sequestradores do publicitário Washington Olivetto, foi preso, condenado e estava cumprindo pena em Itaí. Ele conseguiu ir para o semiaberto e fugiu em uma saidinha temporária em outubro de 2010, quando nunca mais foi visto. Dois contraventores também são procurados: o bicheiro Bernardo Bello, que aparece na série documental “Vale o Escrito”, e o contrabandista de cigarros Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.

Brasil teria condições de alocar todos os seus procurados?

Apesar do número de mandados de prisão no Brasil ser alto, o sistema carcerário não tem vagas suficientes para receber todas essas pessoas. Dados do Geopresídios, plataforma que monitora os estabelecimentos prisionais do país, mostram que até o dia 25 de janeiro havia 484.151 vagas ocupadas por 744.169 detentos, o que, por si só, já representa uma superlotação de 154%. Se os quase 300 mil mandados de prisão fossem cumpridos imediatamente, a população carcerária brasileira passaria do um milhão. Teríamos que ter o dobro de vagas oficiais para cumprir todos esses mandados de prisão, se considerarmos que essas pessoas ainda estão vivas”, explica a professora Roberta Fernandes, associada do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

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