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Daniel Dantas, irmã e os executivos já estão soltos

Nas investigações da Operação Satiagraha da Polícia Federal, o banqueiro Daniel Dantas e mais dez suspeitos ligados a ele foram acusados de participação em um amplo esquema criminoso. Na madrugada desta quinta-feira, menos de dois dias depois do início da operação, todos já estavam soltos. Em função de habeas corpus concedido a onze acusados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, o grupo de Daniel Dantas está em liberdade.

O habeas corpus foi decidido no fim da noite de quarta e determinava soltura em caráter imediato dos nove suspeitos que estavam detidos — dois dos beneficiados estavam foragidos e nem chegaram a ser presos. Além de Daniel Dantas, sua irmã, Verônica (apontada pela PF como laranja do esquema), e seus executivos no Grupo Opportunity foram soltos por ordem do STF. A liminar não beneficiou o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o empresário Naji Nahas, detidos na mesma operação. Eles seguem presos.

Dantas e Verônica saíram da sede da PF em São Paulo num Mitsubishi. Antes, quatro pessoas já haviam deixado o local. Depois que o banqueiro saiu, mais três diretores foram embora. O ministro Mendes justificou a decisão dizendo que os motivos citados pelo juiz Fausto Martin de Sanctis não sustentavam a prisão temporária. O juiz citou, por exemplo, a necessidade de obter depoimentos dos acusados e confrontá-los com as provas obtidas nas investigações da Polícia Federal.

“Não há no ordenamento jurídico brasileiro prisão com a exclusiva finalidade de interrogatório dos investigados”, escreveu o presidente do STF em sua decisão. Caso o seu pedido de habeas corpus não tivesse sido concedido, Dantas ficaria preso pelo menos até o fim de semana, prazo da prisão temporária. Dantas já havia pedido habeas ao STF antes mesmo de ser detido. Depois que a operação foi iniciada e a prisão se confirmou, ele cobrou urgência na tramitação de seu pedido.

Defesa – Na véspera da soltura de seu cliente, o advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, voltou a ameaçar apresentar documentos comprometedores contra membros do governo como forma de defender o banqueiro das acusações. Machado já havia prometido revelar as informações na terça-feira, dia da operação. Na quarta, afirmou que não tem os documentos, mas sabe que eles existem. Os papéis foram entregues à Justiça dos EUA na disputa entre Opportunity e Citigroup.

“Como advogado, vou mensurar em que medida buscaremos trazer à tona esses dados, que poderão contribuir para a elucidação da verdade plena e não da meia-verdade”, disse Machado, segundo reportagem publicada nesta quinta pelo jornal Folha de S. Paulo. Os advogados de Nahas e Pitta também reclamaram da prisão de seus clientes na quarta. O defensor de Nahas disse que seu cliente nega todas as acusações; o de Pitta, que o ex-prefeito não participou de esquema algum.