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Dalai-lama defende meio ambiente em visita a São Paulo

Por Wladimir D’Andrade

São Paulo – Centenas de jornalistas, fotógrafos e câmeras da grande e da pequena mídia lotaram hoje uma sala de conferências do edifício empresarial World Trade Center, na zona sul de São Paulo, para ouvir o que Lhamo Dhondup, um senhor de 76 anos, mais conhecido como o 14º dalai-lama, tinha para dizer em sua quarta visita ao Brasil.

O dalai-lama defendeu a harmonia entre os povos, o respeito às religiões, ao meio ambiente e até deu um recado direto aos jornalistas, alertando que a imprensa deve ter a responsabilidade de informar com isenção.

Dalai Lama é chamado de “Sua Santidade” pela comunidade budista, mas para desmistificar sua imagem iniciou a entrevista com a seguinte frase: “Sou apenas um dos 7 bilhões de seres humanos deste planeta.” Explicou que nos níveis mental, emocional e físico todas as pessoas são completamente iguais.

Para aquele senhor de gestos leves, óculos com lente fumê e a famosa túnica vermelha e amarela, a paz será atingida quando a humanidade passar a seguir o que, de fato, pregam todas as religiões: amor, compaixão e autodisciplina.

“A verdadeira prática religiosa é aquela em que a pessoa implementa os valores da religião na sua vida, mantendo a mente acordada para perceber quando ela é tomada pela raiva e pelo medo. Ninguém deve se deixar avassalar por esses sentimentos negativos”, afirmou.

Entre uma brincadeira e outra, sempre muito espontâneo, dalai-lama também alertou para a degradação ambiental do planeta. Disse que vê hoje maior conscientização das autoridades sobre a questão, e aproveitou para dar uma alfinetada na China, país que o expulsou do Tibet após a invasão ocorrida no início da década de 1950.

“Em encontro como a ECO 92 vejo que os governos têm mostrado mais entusiasmo pelo assunto. Em contrapartida, há países como a China e a Índia que dizem que os interesses nacionais estão acima dos interesses globais.”

Mídia

O dalai-lama aproveitou o público massivo da imprensa presente na entrevista para, primeiro, fazer propaganda de seu novo livro (“Towards the True Kinship of Faiths”, ainda sem tradução no Brasil), e depois para alertar sobre a responsabilidade do trabalho dos jornalistas.

“Vocês precisam ter o nariz do tamanho do nariz do elefante. É preciso faro para ver o que está por trás das notícias, analisar a matéria sobre todos os ângulos”, alertou. “Em todas as profissões encontramos distorções. Vocês devem fazer uma investigação completa e, a partir daí, informar o leitor para que ele julgue como quiser.”