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Custo da violência no Brasil já chega a 5,4% do PIB

Estudo mostra que 258 bilhões de reais foram gastos em decorrência do aumento da criminalidade em 2013, diz jornal

Por Da Redação 10 nov 2014, 08h07

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgados pelo jornal O Globo mostram que a violência custa ao Brasil o equivalente a 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Reportagem publicada nesta segunda-feira revela que, em 2013, o montante despendido em decorrência da escalada da criminalidade chegou a 258 bilhões de reais – a maior parte, 114 bilhões de reais, resultou da perda de capital humano.

O economista Daniel Cerqueira, diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea) e responsável pelo cálculo, explica ao jornal: “As pessoas vítimas da violência, em geral, morrem de forma prematura e deixam de produzir e consumir. É uma tragédia humana e econômica”.

Trata-se da primeira vez que o anuário inclui dados sobre o custo da violência. Elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o documento traz na conta ainda os gastos com serviços de segurança particular (39 bilhões de reais), seguros contra furtos e roubos (36 bilhões de reais) e com o sistema público de saúde (3 bilhões de reais) – o chamado custo social da violência.

Completam o quadro a verba destinada à manutenção de prisões e unidades de cumprimento de medidas socioeducativas (4,9 bilhões de reais), além dos investimentos governamentais em segurança pública 61,1 bilhões de reais. No ano passado, o investimento público em segurança cresceu 8,65% no país – os gastos da União, Estados e municípios nesse quesito somam 1,26% do PIB. São Paulo foi o Estado que mais investiu em segurança: 9,27 bilhões de reais, 12,11% superior ao montante investido pelo governo federal, 8,27 bilhões de reais.

Para se ter uma ideia, os Estados Unidos investem o equivalente a 1% do PIB em segurança, e registram uma taxa de 4,7 homicídios a cada 100.000 habitantes. No Brasil, essa média é de 24,8. Na América Latina, o Chile investe quantia inferior, 0,8% do PIB, mas registra uma taxa de 1,1 assassinato a cada 100.000 habitantes. “Gastar mais não garante em nada que se vá resolver o problema. Nosso sistema de segurança pública de modo geral está falido. Acredito que é preciso gastar mais, mas não de qualquer forma. Não fazendo mais do mesmo”, completa Cerqueira.

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