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Curitiba: oito em dez aprovam internação forçada de dependentes químicos em situação de rua

Levantamento Paraná Pesquisas questiona eleitores da capital sobre nova portaria municipal de saúde pública

Por Bruno Caniato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jan 2026, 08h57
Curitiba: oito em dez aprovam internação forçada de dependentes químicos em situação de rua Priorize VEJA no Google

Oito em dez habitantes (86%) de Curitiba dizem aprovar a prática de internação forçada de moradores de rua, em especial se forem dependentes químicos, quando a pessoa oferece risco à própria vida ou à de terceiros. É o que indica um levantamento publicado nesta terça-feira, 27, pelo instituto Paraná Pesquisas.

De acordo com a pesquisa, apenas 8,4% dos curitibanos se manifestaram radicalmente contra a internação involuntária em qualquer caso, enquanto 3,1% afirmam que a medida “depende da situação”. O levantamento ouviu 802 habitantes na capital paranaense entre os dias 22 e 25 de janeiro de 2026, com margem de erro estimada em 3,5 pontos percentuais (pp) para mais ou para menos.

Levantamento Paraná Pesquisas em Curitiba sobre internação voluntária de dependentes químicos em situação de rua, publicado em janeiro de 2026
Levantamento Paraná Pesquisas em Curitiba sobre internação voluntária de dependentes químicos em situação de rua, publicado em janeiro de 2026 (Paraná Pesquisas/Reprodução)

Norma municipal permite internar qualquer morador de rua com autorização médica

O levantamento Paraná Pesquisas ocorre no contexto de uma nova portaria municipal, aprovada em dezembro do ano passado pela gestão do prefeito Eduardo Pimentel (PSD), que autoriza a Secretaria de Saúde de Curitiba a ordenar a internação forçada de pessoas em situação de rua com “sofrimento psíquico decorrente ou não do uso abusivo de álcool e outras drogas”.

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Na prática, a nova regra permite que qualquer morador de rua seja internado involuntariamente pela prefeitura, desde que haja autorização do representante legal, laudo médico de transtorno psiquiátrico e avaliação clínica de que o paciente apresenta um destes quadros:

  • Incapacidade grave de autocuidados
  • Risco de vida ou de prejuízos graves à saúde
  • Risco de agressão a si próprio(a) ou de outros
  • Risco de prejuízo moral ou patrimonial
  • Risco de agressão à ordem pública
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A lei dispensa, ainda, a necessidade de aprovação familiar em casos de emergência médica.

Também de acordo com a pesquisa, cerca de dois terços dos participantes (68,8%) disseram ter conhecimento sobre o novo protocolo municipal para internação compulsória, enquanto 31,2% afirmaram que não sabiam da portaria recentemente aprovada. Independente da ciência ou não das novas regras, 83,5% dos entrevistados concordaram que a internação forçada pode reduzir o número de dependentes químicos nas ruas, enquanto 89,4% avaliam que o poder público deve intervir nestes casos, mesmo sem o consentimento do paciente, quando existe risco à sua vida ou da população.

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