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Cunha ataca Janot: inquérito atende a interesse do governo

Pelo Twitter, presidente da Câmara insinua que procurador-geral o incluiu entre os alvos dos inquéritos da Lava Jato para garantir mandato à frente do MP

Por Gabriel Castro, de Brasília 7 mar 2015, 10h10

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), insinuou neste sábado que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, incluiu seu nome na lista de investigados da Lava Jato para agradar ao governo e garantir mais um mandato à frente do Ministério Público Federal. Investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, Cunha é suspeito de receber recursos do petrolão por duas fontes: doações eleitorais registradas e dinheiro em espécie entregue pelo policial Jayme Alves Cunha de Oliveira Filho, o Careca, em uma casa no Rio de Janeiro.

Quando saiu a lista de parlamentares que serão investigados no Supremo Tribunal Federal, Cunha afirmou que não se pronunciaria até tomar conhecimento dos indícios reunidos pelo Ministério Público. Mas na madrugada deste sábado, em sua conta no Twitter, o presidente da Câmara decidiu apresentar sua versão da história. O presidente da Câmera disse que o delator Alberto Youssef é “desqualificado” e argumentou que não pode ser punido por ter recebido doações registradas na Justiça Eleitoral. “Criminalizar a minha doação oficial de campanha, sem criminalizar a dos outros, é um acinte à inteligência de quem quer que seja”, afirmou.

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Cunha também lembrou que a casa em que o dinheiro teria sido entregue pertencia ao advogado do deputado Leonardo Picciani (e não ao próprio Cunha, como Alberto Youssef havia dito inicialmente). O presidente da Câmara também negou que Fernando Soares, o Fernando Baiano, representasse o PMDB no esquema da Petrobras. E sugeriu que a inclusão de seu nome e o do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) é uma forma de agradar ao governo. “Sabemos exatamente o jogo político que aconteceu e não dá para ficar calado sem denunciar a politização e aparelhamento da PGR”, escreveu. “O PGR só será reconduzido se for da vontade do Executivo”, continuou. “Dessa forma, eu e também o senador do PSDB sabemos a quem interessa estar misturado a essa corrupção odienta.”

A reação de Cunha foi a mais incisiva dentre os citados na lista de Rodrigo Janot. O peemedebista usou termos como “piada”, “acinte” e “alopragem” em sua resposta. Ele disse que vai responder às acusações “com facilidade” e que quer comparecer à CPI da Petrobras para se explicar.

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