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Criminosos fazem novos ataques no Rio. E a Polícia Militar promete colocar ‘todos os homens na rua’

Por Da Redação - 23 nov 2010, 07h49

“Fizemos várias reuniões e decidimos antecipar as medidas que adotaríamos para o final do ano, diminuindo as escalas, reforçando o nosso policiamento na rua”

Coronel Lima Castro, relações-públicas da PM

A onda de violência que assola o Rio de Janeiro não deu trégua na noite desta segunda-feira. E a Polícia Militar promete colocar todo o seu efetivo na rua para tentar conter as ações criminosas. Em entrevista ao jornal Bom Dia RJ, da Rede Globo, o Relações Públicas da PM, coronel Lima Castro, afirmou nesta terça-feira que as folgas serão reduzidas e o patrulhamento será reforçado.

Criminosos fizeram mais um ataque contra bases policiais, por volta das 22 horas de segunda-feira. Segundo a PM, ocupantes de dois veículos passaram em alta velocidade disparando rajadas de tiros contra uma cabine próxima à Linha Amarela, na região do Jardim América, subúrbio da cidade.

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Um dos tiros chegou a atravessar a cabine, mas nenhum dos policiais militares que estavam no local se feriu, segundo a polícia. Os criminosos conseguiram fugir. O ataque ocorreu na Avenida Dom Hélder Câmara, na altura de Del Castilhos, próximo ao shopping Nova América.

Foi o segundo atentado do dia contra cabines da Polícia Militar do Rio. Na manhã de segunda, um criminoso passou em alta velocidade disparando contra uma cabine na Rua Monsenhor Félix, em Irajá.

Dois carros também foram incendiados por um grupo de criminosos por volta das 22 horas, na pista central da Rodovia Presidente Dutra, sentido Rio de Janeiro, na região de Pavuna, subúrbio da cidade. A pista central chegou a ser interditada por mais de uma hora, e o trânsito foi liberado às 23h15, segundo a concessionária Nova Dutra. Não há informações sobre vítimas.

Na madrugada desta terça-feira, um Honda Civic foi atingido por pelo menos 12 tiros, e dois ocupantes morreram na Rodovia Washington Luís, altura de Duque de Caxias. O carro foi encontrado por volta das 6h30m na pista lateral sentido Rio da rodovia. A concessionária Concer, que administra a rodovia, informou que um terceiro ocupante do veículo foi levado para um hospital de Caxias.

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Embora o crime tenha acontecido na esteira de uma série de ataques que espalham pânico pela região metropolitana do Rio, a polícia não considera que haja ligação com os demais casos. Pela quantidade de tiros concentrados na lateral do carro, a hipótese mais provável é de execução. Não se descarta também a hipótese de tentativa de assalto.

Reação – “Hoje os policiais trabalham na operação que chamamos de ‘fecha quartel’. Vão todos os policiais para rua”, afirmou Lima Castro. “Fizemos várias reuniões e decidimos antecipar as medidas que adotaríamos para o final do ano, diminuindo as escalas, reforçando o nosso policiamento na rua. Vamos ter o Batalhão de Choque operando nas vias especiais, as novas motocicletas para serem distribuídas, sobretudo nos batalhões das regiões metropolitanas”, completou o coronel.

Na segunda-feira, as autoridades de segurança pública do estado do Rio – e o próprio governador – começaram, enfim, a tratar os ataques em série a motoristas e os incêndios de veículos em via pública como uma ação organizada dos criminosos. Sérgio Cabral afirmou acreditar que as ações sejam uma reação das quadrilhas à perda de território imposta pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

De acordo com o governador, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, está planejando, com a cúpula das polícias civil e militar, uma “reação organizada” para conter a onda de ataques. Entre as medidas, estão o aumento no número de blitzes em toda a região metropolitana e o uso de motocicletas para chegar mais rápido aos locais dos assaltos.

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(Com Agência Estado)

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