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Criança de 8 anos desmaia de fome em escola do Distrito Federal

Menino mora em bairro de famílias de baixa renda, a 39 km de onde estuda, e ficou longo período sem comer; Secretaria de Educação investiga o episódio

Por Bianca Lemos Atualizado em 17 nov 2017, 18h56 - Publicado em 17 nov 2017, 18h16

A Secretaria de Educação do Distrito Federal apura o caso de um menino de oito anos de idade que teria desmaiado em uma escola do Cruzeiro, região administrativa do Distrito Federal, na segunda-feira, 13, ao ficar um longo período sem comer. Segundo uma funcionária da Escola Classe 8, onde o episódio ocorreu, a família do garoto já é acompanhada pelo Conselho Tutelar há alguns anos.

Os detalhes e as razões do auxílio à família são sigilosos, mas a principal causa é a vulnerabilidade social, de acordo com uma servidora do Conselho Tutelar da região do Complexo Habitacional Paranoá Parque, onde a  criança mora. Os apartamentos foram construídos pelo Governo do Distrito Federal para abrigar pessoas de baixa renda.

Segundo a funcionária, o local tem muitas famílias com grande número de filhos. Com a chegada desses moradores, a população da região cresceu rapidamente e ficou sem a assistência necessária, como escolas e postos de saúde suficientes. A Escola Classe 8, onde o menino estuda, fica a cerca de 39 quilômetros de sua casa. Assim como ele, outras 200 crianças do Complexo Habitacional Paranoá fazem o mesmo trajeto para estudar em outras duas escolas de Cruzeiro. As matrículas só foram conseguidas após pressão dos moradores.

“Cerca de duzentas crianças são distribuídas em duas escolas de Cruzeiro, porque no Paranoá não tem escola suficiente. Há uma fila de pendências a serem atendidas, são pessoas muito pobres, muitas vão à escola em busca da merenda. As crianças saem muito cedo de casa, às 9h30 e tomam só um café da manhã fraquinho, que é o que eles têm em suas casas, e depois só voltam a comer às 15h30”.

A escola que foi prometida aos moradores ainda não saiu do papel. Há apenas duas creches no local e salas de aula improvisadas em um galpão. “Temos aproximadamente duzentas crianças em uma escola que funciona em um galpão, mas não sabemos até quando, porque o proprietário já pediu o imóvel.”

Em nota, a Secretaria de Comunicação do Governo do Distrito Federal informou que a criança foi atendida pelo Samu e que, segundo relato do técnico em enfermagem, “a criança estava ‘molinha’ quando a equipe chegou”, mas que, “ao examiná-la, o técnico não verificou nenhum problema”.

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Ainda de acordo com o governo, a escola ofertou um alimento e, após comer, a criança sentiu-se melhor. “Durante o atendimento no local, a criança não sofreu qualquer desmaio”, diz a nota da secretaria. Segundo a pasta, a diretora da escola afirmou à Diretoria Regional de Ensino que o aluno já chegou à escola passando mal e que, enquanto ela acompanhou o menino, ele não desmaiou.

Preocupante

Para a Diretora do Sindicato dos Professores do Distrito Federal e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Rosilene Corrêa, o desmaio do aluno é preocupante porque “vai além dos portões da escola”  e “se agrava com o fato de muitos destes alunos serem transportados de uma cidade a outra para terem acesso à escola”.

Para Corrêa, o sistema educacional do país é falho e não garante a qualidade de merenda escolar aos alunos. “Houve redução nos valores destinados à merenda e muitas crianças vão à escola na expectativa de chegar a hora do lanche. Em idade nenhuma é recomendável ficar cinco horas só com biscoito e suco, principalmente para uma criança que está em fase de desenvolvimento e em processo de aprendizado, fatores que exigem dela uma concentração e um grande consumo de sua capacidade intelectual.”

Segundo Corrêa, as más condições oferecidas durante a fase escolar da criança podem ter consequências severas. “Isto compromete o aspecto pedagógico da criança e ela acaba condenada a ter problemas em seu crescimento intelectual e físico”, conclui.

Veja a íntegra da nota do governo do Distrito Federal:

A criança foi atendida por uma equipe do Samu formada por um técnico em enfermagem e o motorista. Segundo relato do técnico em enfermagem, a criança estava “molinha” quando a equipe chegou. Ao examiná-la, o técnico não verificou nenhum problema. A criança, no entanto, relatou durante o atendimento que não vinha comendo bem desde domingo. A escola ofertou, então, um alimento e, após comer, a criança sentiu-se melhor. Durante o atendimento no local, a criança não sofreu qualquer desmaio. Após o atendimento, o pai foi chamado e levou o menino para casa. Na sequência, a escola acionou o Conselho Tutelar para verificar a situação da família. 

  • A diretora da escola afirmou à Regional de Ensino que o aluno já chegou à escola passando mal e, enquanto ela acompanhou a criança, ele não desmaiou. A diretora também relatou à Regional que o aluno saiu de casa após às 12h. 
  • Os ônibus que transportam os alunos do Paranoá ao Cruzeiro são contratados pela Secretaria de Educação. São duas linhas especiais que realizam este atendimento. A que atende a escola em questão sai do Paranoá às 12h20 e retorna do Cruzeiro às 18h.
  • A família recebe o Bolsa Família (R$ 520) e o DF Sem Miséria (R$ 400), de acordo com relato do Conselho Tutelar.

 

 

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