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CPTM e Metrô mantêm em cargos de direção funcionários investigados em cartel

Diretor de operações, assessor técnico e engenheiro são acusados de receber propina do esquema que fraudava licitações de trens e metrô

Por Da Redação - 19 dez 2013, 08h12

O Metrô e a CPTM mantêm em cargos de direção funcionários investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público sob suspeita de receberem propina do cartel de trens em São Paulo. José Luiz Lavorente, diretor de operação e manutenção da CPTM, e Décio Tambelli, assessor técnico e ex-diretor de operações do Metrô, são alvos dos inquéritos que apuram a existência do cartel de trens no Supremo Tribunal Federal (STF) e também no Ministério Público do Estado de São Paulo. Outro funcionário do Metrô, Nelson Scaglione, também investigado sob suspeita de receber propina, foi exonerado nesta terça-feira.

Os três foram acusados pelo ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer na carta anônima que produziu – datada de 17 de abril de 2013 -, e que posteriormente foi entregue pelo ministro da Justiça José Eduardo Cardozo à Polícia Federal. No texto, o executivo afirma que Lavorente, Tambelli e Scaglione estavam “havia mais de dez anos na folha de pagamento da MGE”, empresa que, segundo investigações, era subcontratada pela Siemens para pagar propina a agentes públicos.

O executivo depois corroborou as declarações em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. Na carta anônima que enviara ao ombudsman da Siemens em junho de 2008, o ex-diretor da multinacional já afirmara que os três estiveram na “lista de pagamento” da MGE “por muitos anos”. Os quatro envolvidos figuram como partes do inquérito que agora está sob a responsabilidade da ministra Rosa Weber, do STF.

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Condenação – José Luiz Lavorente foi condenado em primeira instância da Justiça de São Paulo por ausência de procedimento licitatório e superfaturamento de uma obra da extinta Ferrovia Paulista (Fepasa), da qual foi diretor. O juiz o condenou, e também a outros diretores, a devolver 5,1 milhões de reais aos cofres públicos pelas irregularidades.

Provas – O engenheiro José Luiz Lavorente desafiou quem o acusa. “Estou à disposição do Ministério Público e da Polícia Federal para quantas acareações forem necessárias, a qualquer tempo, em qualquer lugar. Tudo indica que seja ele (Everton Rheinheimer) o autor das acusações, mas não posso afirmar peremptoriamente que seja.”

Lavorente trabalha desde 1999 na CPTM. Hoje ele ocupa o cargo de diretor de operações e manutenção da companhia. “Não fiz nada daquilo de que sou acusado. Sou vítima de uma denúncia falsa, da qual não tenho ideia da origem e desconheço a motivação. A área jurídica da CPTM acompanha o caso”, afirmou. Ele disse que conhece Rheinheimer. “Eu o encontrei meia dúzia de vezes, se tanto, em eventos sociais, como no aniversário de 100 anos da empresa na Sala São Paulo. Algumas vezes em reuniões de trabalho na execução de objeto contratual.”

O engenheiro Nelson Scaglione disse que é funcionário do Metrô desde 1974, quando foi coordenador de montagem. Estava exercendo o cargo de gerente de implantação de sistemas. “Por ser um cargo de confiança acabei sendo exonerado para que a administração pudesse ter total liberdade de promover as apurações necessárias e também para que eu pudesse apresentar minha defesa. Conheci Rheinheimer e com ele mantive pouquíssimos contatos, exclusivamente profissionais. Nunca recebi propinas de quem quer que seja. Não tive nenhuma participação no processo de contratação de reforma dos trens.”

(Com Estadão Conteúdo)

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