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Covid-19: após toque de recolher, Porto Seguro ensaia volta à normalidade

Terceiro destino turístico do país, a cidade no litoral sul da Bahia já vendeu mais de 40.000 pacotes para o final de ano, segundo a prefeita

Por Mariana Zylberkan - Atualizado em 10 ago 2020, 20h17 - Publicado em 10 ago 2020, 15h48

Terceiro destino turístico mais procurado no país, o município de Porto Seguro (BA) vem tentando retomar a normalidade duramente quebrada pela pandemia, que levou inclusive à adoção de um toque de recolher por dois meses, com o objetivo de tentar conter a disseminação do coronavírus  – a medida foi encerrada no sábado 8. Segundo a prefeitura e o sindicato de hotéis, bares e restaurantes da região, já há um movimento intenso de procura por pacotes de viagem para o final de ano. Praias e barracas à beira-mar já tiveram as atividades retomadas.

“Todo dia recebemos ligações de agências de turismo perguntando quando a cidade vai reabrir. Uma delas nos avisou que vendeu 40.000 pacotes para o fim de ano”, diz a prefeita Claudia Oliveira (PSD) sobre a procura – a rede tem 48 mil leitos disponíveis. A CVC, agência citada pela prefeita, não repassou informações sobre vendas de pacotes. Apesar da procura, a cidade, como outros destinos turísticos brasileiros, não fará a festa de Réveillon.

Desde o início de julho, quando ocorreu uma alta no número de casos confirmados, a prefeitura restringiu a circulação dos moradores entre 23h e 5h. A maior preocupação é em relação ao baixo número de leitos de UTI disponíveis na região. Contando Porto Seguro e Eunápolis, cidade vizinha, há trinta leitos disponíveis, sendo que 22 estavam ocupados até o fim da semana passada. Atualmente, a cidade tem cerca de 1.900 casos notificados e 32 mortes causadas pela pandemia.

Para poder receber os turistas, hotéis e restaurantes têm que se adequar ao plano elaborado pela Vigilância Sanitária do município, que criou um selo para comprovar a regularidade dos estabelecimentos de acordo com as regras. Entre as exigências, estão manter a ocupação em até 50% e substituir o sistema de self-service no café da manhã. De acordo com Helio José Leal Lima, diretor do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Extremo Sul da Bahia, atualmente, há 15 hotéis em funcionamento em Porto Seguro, ou 1,5% da capacidade disponível. “Muita gente preferiu ficar fechado mesmo porque não compensa reabrir”, diz.

Os voos diretos para a cidade no sul baiano, que foram reduzidos pelas companhias aéreas no período de pandemia, devem voltar à normalidade apenas em outubro. Segundo Leal Lima, mesmo assim, já há movimento de turistas para a cidade. “Os voos para Porto Seguro têm chegado lotados”, disse o diretor do sindicato. “As pessoas estão querendo viajar, não estão ligando muito mais para a pandemia”.

Apesar da perspectiva de reabertura, alguns empresários da região só vão retomar as atividades a partir de setembro, caso da maioria das pousadas no distrito de Caraíva, que organizou um abaixo-assinado para adiar a reabertura.

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