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Couto quer recuperar áreas dominadas pelo crime no Rio após plano de Castro ficar no papel

Desembargador que governa interinamente o estado criou nova política de reocupação territorial em resposta a exigências do STF na 'ADPF das Favelas'

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jul 2026, 12h00
Couto quer recuperar áreas dominadas pelo crime no Rio após plano de Castro ficar no papel Priorizar nos meus resultados Google

Na área mais sensível do governo do Rio, a segurança pública, o desembargador Ricardo Couto deu mais um passo para imprimir sua marca na gestão interina. O governador em exercício criou uma política de reocupação de territórios dominados por facções e milícias, em resposta a exigências do Supremo Tribunal Federal (STF) na chamada “ADPF das Favelas”.

Dois decretos publicados no Diário Oficial desta sexta-feira, 31, detalham as mudanças. A nova política será estruturada em cinco eixos: Segurança e Justiça, Desenvolvimento Social, Urbanismo e Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Governança e Sustentabilidade. O decreto também estabelece como princípios a integração com prefeituras e o governo federal, a centralidade dos direitos fundamentais e a transparência.

O desembargador tenta mudar o paradigma da atuação do Estado nesses territórios, substituindo uma lógica centrada quase exclusivamente em operações policiais pontuais por uma abordagem intersetorial permanente e que dialogue com a população local. A ideia é que sejam desenhados planos táticos sob medida para cada comunidade, levando em conta as especificidades locais, com cronogramas próprios de execução.

A arquitetura criada por Couto divide a política em três níveis: estratégico, tático e operacional. O nível estratégico ficará a cargo do novo Gabinete de Gestão Integrada do Estado do Rio de Janeiro, o GGI, vinculado à Secretaria de Segurança Pública. O órgão será responsável por definir diretrizes, prioridades e objetivos, além de acompanhar a execução das ações para prestar conta às autoridades. O nível tático será atribuição do recém-criado Gabinete Integrado de Gestão Territorial, o GIGT, também dirigido pela Secretaria de Segurança, que deverá coordenar as ações e elaborar os planos territoriais. A parte operacional ficará a cargo dos atores envolvidos, como forças de segurança, Secretarias de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Casa Civil, entre outros.

A medida sucede o plano apresentado ainda na gestão do ex-governador Cláudio Castro por exigência do STF, como um projeto-piloto para Rio das Pedras, Muzema e Gardênia, na Zona Sudoeste, mas que não chegou a ser analisado pelo tribunal e, portanto, nunca saiu do papel.

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