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Corrupção na Petrobras financiou campanhas de PT, PMDB e PP, diz Costa

Em seu 1º depoimento à Justiça após a homologação do acordo de delação premiada, ex-diretor diz que dinheiro de propina foi usado na eleição de 2010

Por Da Redação - 9 out 2014, 01h18

O esquema de corrupção instalado na Petrobras financiou campanhas eleitorais de PT, PMDB e PP em 2010, afirmou o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, nesta quarta-feira, em seu primeiro depoimento à Justiça após a homologação do acordo de delação premiada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Em setembro, VEJA revelou que Costa havia citado em sua delação os três partidos como os principais beneficiários do propinoduto na Petrobras. Em seu depoimento nesta quarta, porém, o ex-diretor avança ao detalhar que o dinheiro do esquema irrigou as campanhas das três legendas nas eleições de 2010.

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Costa depôs durante cerca de duas horas, em Curitiba, no processo da Operação Lava Jato em que é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro desviado das obras da refinaria Abreu e Lima. A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de 10 bilhões de reais.

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Segundo O Estado de S. Paulo, Costa disse em seu depoimento que foi indicado para o cargo de diretor de Abastecimento da estatal pelo ex-deputado José Janene (PP-PR), em 2004, com a missão de montar um esquema de pagamento de propinas para políticos. Ele afirmou que 3% dos valores de contratos superfaturados eram divididos entre ele e os partidos. Costa não citou no depoimento nomes de políticos que teriam recebido dinheiro do esquema, mas disse que “muita gente” foi beneficiada. Em sua delação premiada, ele apontou pelo menos três governadores, um ministro, seis senadores e 25 deputados federais como beneficiados pelas verbas desviadas, conforme revelou VEJA.

Em VEJA: Costa revela nomes dos beneficiários do esquema na Petrobras

De acordo com o jornal, o ex-diretor indicou ainda os nomes de outros três diretores da Petrobrás que, segundo ele, faziam parte do esquema. Além disso, ele declarou ter recebido “pessoalmente” 500 mil reais do presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Costa também afirmou em depoimento que outras diretorias da Petrobras estavam envolvidas na corrupção e que os líderes do esquema eram “agentes políticos”. Segundo ele, as empreiteiras que não pagavam propina não participavam dos contratos.

(Com Estadão Conteúdo)

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