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Corregedoria ouve 31 PMs sobre chacina em Campinas

Principal linha de investigação da Polícia Civil é que as mortes ocorreram em retaliação ao assassinato de um policial militar durante um assalto

Por Da Redação 21 jan 2014, 15h19

A Corregedoria da Polícia Militar ouve nesta terça-feira o depoimento de 31 policiais militares de Campinas (SP) que estavam de plantão no último dia 13 de janeiro, quando doze pessoas foram assassinadas em um período de quatro horas numa mesma região na periferia da cidade.

A principal linha de investigação da Polícia Civil é que as mortes foram cometidas por policiais militares, em retaliação ao assassinato de um colega de trabalho no mesmo dia. À paisana, Arides Luis dos Santos, de 44 anos, levou um tiro na cabeça após reagir a um assalto num posto de gasolina. Imagens da câmera de segurança do estabelecimento permitiram identificar os suspeitos do crime.

Na última semana, o ouvidor das polícias de São Paulo, Júlio César Fernandes Neves, reforçou o indício de envolvimento dos PMs nas mortes. “As declarações de familiares de que os assassinos usavam sobretudo e coturno da polícia e as características de ação de um grupo de extermínio fazem com que a Ouvidoria acompanhe as investigações para que nada seja acobertado”, disse.

O secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella Vieira, defendeu o trabalho da Polícia Militar, mas não descartou a hipótese de participação de policiais na chacina. “A Polícia Militar tem relevantes serviços prestados à comunidade e cerca de 90.000 homens. Portanto, uma instituição com esse tamanho, pode sim eventualmente ter pessoas que tenham desvios. Nenhuma hipótese está descartada”, afirmou.

Testemunhas ouvidas pela polícia disseram que os responsáveis pelas mortes usavam touca ninja e vestiam coletes parecidos com os da polícia. Nos locais onde ocorreram as mortes, foram encontradas 53 cápsulas de pistola 9 mm e revólver calibre 380. As doze vítimas – metade com passagem pela polícia – foram atingidas na cabeça e no tórax. Todos os pontos eram locais de venda de drogas.

(Com Estadão Conteúdo)

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