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Corregedoria divulga identidade dos seis policiais foragidos

Ligados a traficantes do PCC, policiais civis tiveram prisão temporária decretada pela Justiça em investigação do Ministério Público Estadual de São Paulo

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo divulgou nesta terça-feira a identidade de seis policiais procurados por envolvimento com traficantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Todos são da ativa, passaram ou ainda trabalham no Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) na capital paulista.

Os policiais Daniel Dreyer Bazzan, Danilo da Silva Nascimento, Gilson Iwamizu dos Santos, Jandre Gomes Lopes de Souza, Leonel Rodrigues Santos e Silvio Cesar de Carvalho Videira estão foragidos. Eles fazem parte de um grupo de treze agentes investigados pelo Ministério Público Estadual (MPE) por repassar a bandidos informações sobre monitoramento e operações contra o tráfico de drogas em Campinas.

Em troca, os traficantes pagavam propina de até 300 000 reais por ano, segundo o MPE. Os policiais cometeram crimes como corrupção, formação de quadrilha, tortura e extorsão mediante sequestro.

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Todos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Sete foram presos nessa segunda-feira: três investigadores ou escrivães de São Paulo, dois investigadores de Campinas e dois delegados, entre eles o supervisor da unidade de inteligência do Denarc, Clemente Calvo Castilhone Junior.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) descobriu a colaboração de policias com traficantes a partir de escutas telefônicas iniciadas em outubro do ano passado. O alvo dos promotores era o traficante Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho. Preso desde 2002 em Presidente Venceslau, o líder do tráfico em Campinas mantinha, de dentro da cadeia, contato por telefone celular com seus comparsas.

Demissão – A Corregedoria instaurou sindicância para apurar “a conduta de cada policial”, segundo a nota. O corregedor-geral, Nestor Sampaio Penteado Filho, disse em entrevista coletiva que os treze policiais podem ser submetidos a procedimento disciplinar e punidos com a perda do cargo na polícia. O promotor de Justiça Amauri Silveira Filho afirmou na ocasião estar convicto de que “há vários outros policiais envolvidos”.

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O delegado-geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Blazeck, afirmou que o Denarc será reformulado. Segundo Blazeck, a unidade precisa rever métodos de trabalho. Ele descartou, porém, a troca da chefia do Denarc, sob o comando do delegado Marco Antonio de Paula Santos.