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Corpo de criança é encontrado dentro de máquina de lavar

Adolescente de 14 anos, da mesma família, confessou crime, segundo a polícia

Uma criança de 4 anos foi encontrada morta na manhã desta quinta-feira no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. O corpo foi localizado dentro da máquina de lavar da própria casa. Ele estava desaparecido desde a noite de quarta-feira. Segundo a mãe, Vanessa Lima dos Santos, de 31 anos, Caio Henrique brincava na porta de casa, por volta das 18h30, quando desapareceu após um tumulto na comunidade conhecida como Baixa de Sapateiro.

Um menor de 14 anos, da mesma família do menino, confessou o crime e foi detido horas depois. Ao delegado Delmir Gouveia, da 21ª DP (Bonsucesso), o suspeito disse que “perdeu a cabeça” durante uma briga e deu quatro facadas no peito da criança. O corpo, então, foi enrolado em um edredom e colocado na máquina de lavar. “A mãe não estava na hora que tudo aconteceu. Ninguém ouviu nada, até porque estava tendo uma manifestação na rua e a casa fica no alto”, explicou o delegado.

De acordo com a Força de Pacificação do Exército, que ocupa o conjunto de favelas desde o último dia 5, por volta das 18h30, militares que realizavam uma patrulha foram atacados com rojões. Segundo o major Alberto Horita, assessor de imprensa das tropas militares, o grupo não revidou aos ataques e os suspeitos conseguiram escapar. Por volta das 22h, um grupo de moradores comunicou o desaparecimento do menino aos militares, que chegaram a realizar buscas – sem sucesso.

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Esta é a terceira morte na favela em menos de duas semanas de ocupação pelas Forças de Pacificação do Exército. No último sábado, Jeferson Rodrigues da Silva, de 18 anos, foi morto a tiros na comunidade Vila do João. Já na segunda-feira, Teresinha Justino da Silva, de 67 anos, foi atingida por dois tiros ao deixar uma farmácia. Ela morreu no local e outra pessoa ficou ferida. Ainda não há informações sobre a autoria dos disparos.

O Exército ocupa o conjunto de 15 favelas desde o último dia 5, com 2.500 militares da Brigada Paraquedista e fuzileiros navais. Na próxima etapa, prevista para o segundo semestre, outros 4.000 militares da Força Nacional podem atuar na operação, batizada de São Francisco. Duas semanas antes da chegada das Forças Armadas, a Polícia Militar também ocupou o conjunto de favelas. No período, de acordo com a Secretaria de Segurança do Rio, 16 pessoas foram mortas e outras oito ficaram feridas.

(Com Estadão Conteúdo)