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Corpo de Campos será liberado até sábado, diz Alckmin

Governador de São Paulo afirmou que IML trabalha 'o mais rápido possível'. Enterro em Recife foi marcado para domingo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quinta-feira que os restos mortais do presidenciável Eduardo Campos (PSB), morto na quarta-feira, e das outras seis vítimas do acidente aéreo em Santos, litoral paulista, devem ser liberados até sábado pelo Instituto Médico Legal (IML) do Estado. Alckmin disse que a viúva de Campos, Renata, telefonou para solicitar que os restos mortais das sete vítimas na tragédia fossem liberados juntos, de modo que todas as famílias possam sepultar seus mortos.

“Está praticamente encerrada a fase de elaboração do perfil genético para fazer o exame de DNA”, afirmou Alckmin. O governador paulista se reuniu no Palácio dos Bandeirantes com o colega pernambucano João Lyra Neto (PSB). Segundo o tucano, o trabalho de identificação dos corpos está sendo feito “o mais rápido possível”.

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O enterro de Campos, inicialmente marcado para o domingo pelo governo de Pernambuco, segue indefinido. Segundo Lyra Neto, a presidente Dilma Rousseff ofereceu a estrutura da União para realizar o traslado dos corpos, que devem ser transportados em jatos da Força Aérea Brasileira (FAB). O corpo do coordenador da campanha Pedro Valadares seguirá para Aracaju. Já os pilotos seguirão para seus estados, Minas Gerais e Paraná. A expectativa é de que o corpo de Campos chegue a Recife ainda no sábado – o sepultamento ocorrerá 24 horas após a chegada à capital pernambucana.

Recife já se prepara para se despedir e homenagear o ex-governador do Estado. Enquanto familiares e amigos aguardam a liberação dos restos mortais pelo IML, os locais onde o pernambucano será velado e enterrado já estão se preparando para o cerimonial. O ex-governador será velado no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de onde Campos comandou o Estado por sete anos e três meses, até o dia 4 de abril deste ano. O ex-governador será homenageado no mesmo local em que, há quinze dias, ele e sua família velaram o corpo do escritor Ariano Suassuna, tio da mulher de Campos, Renata, e amigo próximo da família. A Guarda Civil do município já restringiu o acesso aos arredores do local. Apenas pedestres e carros oficiais podem transitar livremente.

A cerimônia de despedida de Campos contará com uma missa campal, que será realizada nos arredores do Palácio, e será celebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido. O corpo será levado em um cortejo conduzido por um caminhão do Corpo de Bombeiros até o cemitério de Santo Amaro, no centro do Recife. Campos será enterrado ao lado de seu avó, o também ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, que morreu exatamente nove anos antes do neto.

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O cemitério de Santo Amaro está recebendo cuidados redobrados desde quarta: a pintura dos canteiros foi totalmente refeita e o sistema de iluminação passou por reparos. O local também ganhou serviços extra de limpeza e capinagem. Funcionários relatam que a ordem é que todos andem uniformizados e devidamente identificados, já que muitas pessoas são esperadas para prestar homenagens nos próximos dias.

O chefe de divisão de necrópoles do Recife, Petrus Tejo, conta que, desde o fim da tarde de quarta, muitas pessoas foram acender velas no túmulo de Arraes. A única decoração do local, além das flores, é uma placa que traz inscrito o epitáfio de Arraes: “Um homem marcado pelas duas mãos e o sentimento do mundo.” Ao lado do ex-governador, exilado durante a ditadura militar, está enterrado um de seus filhos, Carlos Augusto Arraes de Alencar, morto em 2010. Tejo explica que, para acomodar avô e neto juntos, que coincidentemente morreram em 13 de agosto, os restos de Carlos serão exumados e depositados em uma urna.