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Conselhos pedem vacinação antecipada contra gripe

Por Tássia Kastner

Porto Alegre – Com 1,9 mil casos confirmados e 133 mortes pela gripe A na região Sul do País neste ano, os Conselhos de Medicina dos três Estados iniciam movimentação para evitar um novo surto em 2013. A ideia dos profissionais de saúde é antecipar a campanha de vacinação, para garantir que a população esteja imunizada por volta da 26ª semana do ano, período que, historicamente, ocorre o pico da doença na região.

Na pauta do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), está o aumento no número de doses distribuídas nosEstados do Sul, que concentram 80% dos casos da doença no País, e a criação de unidades de atendimento para pacientes com síndromes gripais, para acelerar o início do tratamento com o antiviral Oseltamivir, conhecido pelo nome comercial Tamiflu. “Precisamos que o Ministério trate a região Sul como região Sul. O Brasil não é só praia no Nordeste”, criticou o presidente da entidade, Rogério Aguiar. Ele admitiu também que a diminuição dos casos depende ainda de condições climáticas.

Para o Secretário Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, Ciro Simoni, a avaliação de que o pico de casos da doença já passou precisa ser revista com o acompanhamento dos dados. “Por enquanto, estamos na curva e mostrando queda no número de casos”, disse. Nesta segunda-feira, o Estado somou oito novas vítimas da gripe A, mas pelo menos três delas de mortes ocorridas em semanas anteriores e confirmadas agora.

No Paraná, a leitura de especialistas é de que a doença está diminuindo. O boletim epidemiológico, divulgado nesta segunda-feira, confirma que o pico da doença no Estado foi no final de junho (26ª semana). O boletim indica um crescimento mais lento do número de casos semana a semana. No boletim divulgado no dia 16, a Secretaria da Saúde do Paraná havia registrado um aumento de 29% em relação ao número de casos confirmados (de 588 para 760). No documento divulgado nesta segunda-feira, o aumento foi de 18% (de 760 para 899).

Prevenção

Com a diminuição do número de novas pessoas contaminadas pelo H1N1, o infectologista chefe do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Luciano Goldani, consegue descartar a possibilidade de um novo surto de gripe A, como o ocorrido em 2009, ano de surgimento da doença. Ainda assim, ele alerta para a necessidade de prevenção. Para Goldani, o aumento no número de casos neste ano na Região Sul, na comparação com 2010 e 2011, “é um repique inesperado”, só controlado porque “a população já têm um certo grau de imunidade ao vírus”.

Goldani afirmou que a estratégia de vacinação do Ministério da Saúde, que prioriza grupos da população, é uma leitura de que a gripe A já se comporta como uma gripe sazonal, mas critica a baixa produção de vacinas. “O H1N1 não sofreu nenhuma mutação, mas podemos nos deparar com vírus mais graves no futuro e precisaremos de produção de vacinas em escala”, alerta.

A infectologista do Grupo Hospitalar da Santa Casa, Cynara Carvalho Nunes, aponta que houve uma previsão mínima de vacinas, sem considerar, inicialmente, a maior facilidade de contágio das pessoas no Sul em função do clima. Destaca ainda que é o maior número de contágios que faz o vírus sofrer modificações. “O vírus se replica quando infecta”, diz, argumentando em prol da ampliação da população vacinada.