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Congresso acompanhará investigações de ameaça terrorista contra presidente

Plano de grupo extremista de matar Bolsonaro e dois ministros provocou reações na Câmara dos Deputados e no Senado Federal

Na última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro desembarcou em Vitória da Conquista, na Bahia, com a certeza de que estava pisando em solo inimigo. O estado é governado pelo PT há doze anos e, em 2018, entregou apenas 27% dos votos a Bolsonaro no segundo turno, contra Fernando Haddad. Não bastasse o cenário desfavorável no campo político, na véspera da viagem presidencial Bolsonaro deixou escapar uma conversa em que se referia aos nordestinos como “paraíbas” — termo considerado pejorativo e preconceituoso (veja a reportagem). O que mais chamou atenção, porém, foi o esquema de segurança montado para a solenidade de inauguração do aeroporto da cidade. O local foi totalmente cercado, o acesso ficou restrito a convidados e o presidente subiu ao palco usando um colete à prova de balas. Bolsonaro ainda estava ladeado por um de seus guarda-costas, que o protegia com uma “pasta-escudo”, normalmente carregada de forma discreta, mas dessa vez erguida o tempo todo diante do abdômen do presidente.

O reforço na segurança presidencial ocorreu após reportagem da edição passada de VEJA revelar que um grupo terrorista tem planos de atentar contra a vida de Bolsonaro. Em entrevista, um dos líderes da Sociedade Secreta Silvestre (SSS), braço de uma rede internacional investigada por promover ataques contra políticos e empresários, afirmou que o grupo no Brasil planeja matar o presidente e seus familiares. Também estão na mira dos terroristas os ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Damares Alves, da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Após a publicação, Bolsonaro confirmou que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável por sua segurança, tinha conhecimento do caso — e o esquema de proteção foi reforçado.

EXTREMISMO – Ataque anunciado

EXTREMISMO – Ataque anunciado (VEJA/VEJA)

A ameaça contra o presidente provocou reações do Congresso. Braço-­direito de Bolsonaro, o deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) cobrou “medidas enérgicas” para conter o grupo terrorista e defendeu a instalação de uma comissão na Câmara para tratar especificamente da segurança presidencial. “Conforme o que se descobrir, podemos propor até a criação de uma CPI. Depois de o leite ser derramado não adianta vir dizer que foi falta de sorte”, afirmou. Líder do PSL, o partido do presidente, o senador Major Olimpio (SP) elogiou os serviços de segurança e de inteligência federais, que teriam conseguido evitar um ataque do grupo terrorista durante a cerimônia de posse, em janeiro. O parlamentar também defendeu a intensificação do esquema de segurança presidencial. “Podem ser só pessoas querendo causar pânico, assustar, mas isso tem de ser apurado, identificado e punido de forma exemplar”, afirmou o parlamentar.

Publicado em VEJA de 31 de julho de 2019, edição nº 2645