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Congelamento do caixa da prefeitura do Rio pode afetar coleta de lixo

Decisão foi publicada hoje no Diário Oficial afeta pagamento do 13º salario

Por Leandro Resende - Atualizado em 17 dez 2019, 12h18 - Publicado em 17 dez 2019, 11h37

A decisão da prefeitura do Rio de suspender o pagamento da segunda parcela do 13º salário dos servidores e todas as movimentações financeiras do caixa do município pode afetar outros serviços, como a coleta de lixo. Nesta terça-feira 17, a gestão do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) decidiu congelar o Tesouro Municipal “até segunda ordem”. Para o vereador Paulo Messina (PSD), que foi secretário da Casa Civil de Crivella, trata-se de uma “tragédia anunciada”. “Essa resolução que saiu no Diário Oficial é a decretação da falência do município. Era claro que isso ia acontecer desde o começo do ano. Não há um tostão em caixa”, afirmou Messina.

O vereador também alerta para a possibilidade de uma paralisação dos serviços de coleta de lixo às vésperas do Réveillon e uma paralisação dos atendimentos nos hospitais públicos, em virtude da suspensão de pagamento dos fornecedores. “É fundamental que pelo menos agora a prefeitura dê transparência sobre a crise que ela mesmo ajudou a criar”, disse o vereador. A prefeitura alega que o congelamento do caixa é uma medida “pontual” e que “pode ser revertida a qualquer momento”, e feita para “reorganizar” as contas da cidade.

Nesse cenário de indefinição, quem sofre é o servidor público. VEJA ouviu uma servidora da área da educação sob anonimato que deu indícios das dificuldades enfrentadas. “Tenho dois filhos e estou preocupada com o Natal. Por mais que a gente soubesse da crise, confiamos na palavra do prefeito. Tem muita gente com as contas atrasadas por causa dessa situação”, contou.

Para a vereadora Teresa Bergher (PSDB), o congelamento do caixa da prefeitura é o ápice de uma situação de “caos total”. “Crivella pecou ao não frear despesas desnecessárias, como publicidade, eventos, encargos especiais, recriação de secretarias e de subsecretarias”, enumerou.

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No começo deste mês, VEJA mostrou que enquanto o Rio vive grave crise, Crivella só pensa na sua reeleição. Nesse sentido, por exemplo, passou a procurar se aproximar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e intensificou os ataques à imprensa, determinando até que jornalistas do Grupo Globo não participem de entrevistas coletivas.

Além disso, VEJA também mostrou que o prefeito está exibindo vídeos de propaganda de sua gestão em prédios públicos. Depois da exibição da peça, intitulada “Você sabia?”, funcionários são orientados a gravar vídeos de pessoas dizendo que a prefeitura vai bem, e que as realizações não são divulgadas pela imprensa. O vídeo foi exibido nas últimas semanas em locais como o Centro de Emergência Regional da Barra da Tijuca, e na escola Professor Arthur Thiré, em Paciência.

Para o advogado Manoel Peixinho, especialista em Direito Público, a exibição dos vídeos em prédios públicos é ilegal. “Ele está violando o princípio da moralidade administrativa ao usar a máquina para fins eleitorais e pessoais”, afirmou.

Com reportagem de Maria Clara Vieira

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