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Confissão de escanteio: Bruno tenta culpar Bola e Macarrão

Goleiro se recusa a responder à acusação, dá declarações orientadas a responsabilizar outros réus e corre o risco de não obter redução de pena

Por Pâmela Oliveira e Leslie Leitão, de Contagem - 6 mar 2013, 20h55

“Bruno não confessou. Disse apenas que aceitou a morte, quando a situação já estava resolvida, após a volta do Macarrão e do menor para o sítio. Isso não é confissão. Vou pedir a pena máxima”, disse o promotor Henry Castro

Para alguém que ganhava a vida jogando futebol, o confronto com um comparsa de codinome “Bola” soa como piada do destino. Mas foi exatamente esse o embate mais surpreendente do interrogatório do goleiro Bruno Fernandes, na tarde desta quarta-feira, no Fórum de Contagem, em Minas Gerais. Bruno, primeiro, condenou um condenado, afirmando que Macarrão foi quem decidiu matar Eliza. Depois, disse ter tomado conhecimento da história sobre o estrangulamento, o esquartejamento e a entrega dos restos mortais de Eliza para cães ferozes. E posicionou-se como alguém em perigo: disse que ele e Dayanne Souza têm medo do ex-policial, acusado de ser o algoz de Eliza.

TEMA EM FOCO: Acompanhe o Caso Bruno

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O goleiro começou, assim, a mostrar que a sua aguardada “confissão” era, na verdade, uma delação, uma distribuição da culpa entre os demais envolvidos, na tentativa de amainar as penas que invariavelmente vai receber. Quem cantou a pedra no plenário foi um velho amigo do jogador, o advogado Ércio Quaresma, que atualmente defende Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Quaresma fez uma série de perguntas orientadas a mostrar que Bruno tentava prejudicar seu cliente em troca de benefícios da Justiça. “Gostaria que o senhor informasse se assistiu pela televisão de sua cela o julgamento de Macarrão e Fernanda. Se o senhor tomou ciência através de reportagens que houve um acordo para que Macarrão fizesse uma confissão e tivesse redução de 40% da pena. Se seus advogados ou qualquer pessoa fez proposta de igual teor para delatar Marcos Aparecido neste julgamento”, disse.

Promotor vai pedir pena máxima: “Bruno não confessou”

Bruno não respondeu. Como também não havia respondido às perguntas da acusação, feitas pelo promotor Henry Castro. As revelações – na verdade, confirmações – vieram em resposta a questionamentos apresentados pela juíza Marixa Fabiane Rodrigues Lopes. Os fatos que Bruno decidiu relatar caminham em uma só direção: no de reforçar a imagem de Macarrão como mentor da morte de Eliza e no de Bola como assassino.

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A parte de Bola seria a “contribuição”, a admissão de que houve crime e de que aquele é o autor. Por tabela, admite que mentiu por três anos – algo que os réus têm direito de fazer, para se proteger – e que sabia de tudo aquilo que dizia não saber. Mas até para isso o goleiro tentou apresentar uma defesa. Bruno admitiu que sabia, mas disse ter medo de denunciar o crime. “Não denunciei por medo de acontecer alguma coisa com alguém da minha família, com as minhas filhas. Medo de Luiz Henrique e de outras pessoas que estavam envolvidas”, disse.

Opção pelo silêncio pode prejudicar o goleiro Bruno

O arranjo apresentado por Bruno para suas atitudes ao longo do caso não convenceu o promotor Henry Castro. Para a acusação, Bruno era quem tinha a motivação para o crime, e quem efetivamente se beneficiaria do sumiço de Eliza. Nesta quinta-feira, Henry Castro vai pedir “pena máxima” para o goleiro – algo que pode chegar a 41 anos, considerando os crimes de sequestro, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Já a defesa vai pedir abrandamento de penas, tentando alegar que Bruno fez uma confissão e contribuiu com a Justiça.

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“Bruno não confessou. Disse apenas que aceitou a morte, quando a situação já estava resolvida, após a volta do Macarrão e do menor para o sítio. Isso não é confissão. Vou pedir a pena máxima”, disse Castro.

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