Como o WhatsApp se tornou a linha central de transmissão das fake news eleitorais
Mais ágil e difícil de rastrear, plataforma contribui para viralizar boatos que circulam em outras redes, indica relatório da Agência Lupa
Em 2026, o WhatsApp deve seguir na liderança entre as plataformas digitais onde mais circula desinformação eleitoral no Brasil. Um novo estudo publicado pela Agência Lupa revela que o app de mensagens é uma verdadeira via arterial para a circulação de fake news através de diferentes plataformas, potencializando a viralização de boatos e tornando quase impossível rastrear seus autores.
Segundo o relatório Anatomia da Desinformação Eleitoral, publicado nesta segunda-feira, 27, o WhatsApp foi o único canal onde circularam 100% dos boatos eleitorais verificados pela Lupa em 2024. A participação do app na propagação de mentiras triplicou em relação às eleições de 2018, quando o Facebook liderava o ranking com 76,5% do conteúdo desinformativo.
A agilidade das mensagens e a dificuldade de moderação no WhatsApp criam terreno extremamente fértil para a rápida propagação de boatos. Os grupos privados podem atuar como verdadeiras centrais de transmissão de mentiras — mantendo em circulação, inclusive, fake news já identificadas e excluídas de redes sociais como Facebook, Instagram, TikTok e X (ex-Twitter).
Cada vez mais, desinformação deixa de ser explícita e se torna ‘zona cinzenta’
Além da circulação massiva pelo WhatsApp, o relatório aponta para um processo de mutação das fake news: cada vez mais, a mentira deixa de ser explícita e passa a incorporar elementos subjetivos, como imagens, vídeos e dados fora de contexto, que aumentam a credibilidade da informação forjada.
Segundo a Lupa, a parcela de boatos que foram classificados como objetivamente falsos vem caindo nas últimas eleições, passando de 96% em 2018 para 81,5% em 2024, enquanto cresceram as ocorrências de informação fora de contexto ou exagerada — como vídeos editados de falas de autoridades, links para reportagens desatualizadas ou estatísticas distorcidas.
“Os boatos da última década mudaram menos no que dizem do que na maneira como convencem e circulam”, escreve Maiquel Rosauro, autor do estudo. “Eles passaram a vestir a aparência de evidência e a viajar por ambientes cada vez mais fechados, onde são mais difíceis de rastrear, contestar e interromper.”







