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Como o WhatsApp se tornou a linha central de transmissão das fake news eleitorais

Mais ágil e difícil de rastrear, plataforma contribui para viralizar boatos que circulam em outras redes, indica relatório da Agência Lupa

Por Bruno Caniato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 14h20 | Atualizado em 28 jul 2026, 15h43
Como o WhatsApp se tornou a linha central de transmissão das fake news eleitorais Priorizar nos meus resultados Google

Em 2026, o WhatsApp deve seguir na liderança entre as plataformas digitais onde mais circula desinformação eleitoral no Brasil. Um novo estudo publicado pela Agência Lupa revela que o app de mensagens é uma verdadeira via arterial para a circulação de fake news através de diferentes plataformas, potencializando a viralização de boatos e tornando quase impossível rastrear seus autores.

Segundo o relatório Anatomia da Desinformação Eleitoral, publicado nesta segunda-feira, 27, o WhatsApp foi o único canal onde circularam 100% dos boatos eleitorais verificados pela Lupa em 2024. A participação do app na propagação de mentiras triplicou em relação às eleições de 2018, quando o Facebook liderava o ranking com 76,5% do conteúdo desinformativo.

A agilidade das mensagens e a dificuldade de moderação no WhatsApp criam terreno extremamente fértil para a rápida propagação de boatos. Os grupos privados podem atuar como verdadeiras centrais de transmissão de mentiras — mantendo em circulação, inclusive, fake news já identificadas e excluídas de redes sociais como Facebook, Instagram, TikTok e X (ex-Twitter).

Cada vez mais, desinformação deixa de ser explícita e se torna ‘zona cinzenta’

Além da circulação massiva pelo WhatsApp, o relatório aponta para um processo de mutação das fake news: cada vez mais, a mentira deixa de ser explícita e passa a incorporar elementos subjetivos, como imagens, vídeos e dados fora de contexto, que aumentam a credibilidade da informação forjada.

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Segundo a Lupa, a parcela de boatos que foram classificados como objetivamente falsos vem caindo nas últimas eleições, passando de 96% em 2018 para 81,5% em 2024, enquanto cresceram as ocorrências de informação fora de contexto ou exagerada — como vídeos editados de falas de autoridades, links para reportagens desatualizadas ou estatísticas distorcidas.

“Os boatos da última década mudaram menos no que dizem do que na maneira como convencem e circulam”, escreve Maiquel Rosauro, autor do estudo. “Eles passaram a vestir a aparência de evidência e a viajar por ambientes cada vez mais fechados, onde são mais difíceis de rastrear, contestar e interromper.”

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