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Como é produzido o foie gras, especiaria francesa alvo de polêmica

Projeto aprovado pelo Congresso Nacional prevê a proibição da produção e da comercialização do alimento

Por Duda Monteiro de Barros Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jul 2026, 11h44 | Atualizado em 7 jul 2026, 11h56
Como é produzido o foie gras, especiaria francesa alvo de polêmica Priorizar nos meus resultados Google

O foie gras é uma receita tradicional da culinária francesa produzida a partir do fígado de patos ou gansos submetidos a um processo conhecido como gavagem. Na etapa final da criação, as aves recebem grandes quantidades de alimento por meio de um tubo introduzido no esôfago, o que provoca um aumento anormal do fígado — característica considerada essencial para a produção do alimento. O método é alvo de críticas de entidades de proteção animal, que o classificam como uma prática de maus-tratos, enquanto alguns produtores afirmam que ele faz parte de uma tradição gastronômica centenária.

A produção do foie gras voltou ao centro do debate no Brasil após a aprovação, pelo Congresso Nacional, de um projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização do produto quando obtido por alimentação forçada. O texto ainda depende da conclusão da tramitação legislativa e de sanção presidencial para entrar em vigor. A medida provocou reação de representantes da indústria francesa, que defendem a preservação da tradição e alertam para possíveis impactos comerciais. A Associação Interprofissional de Patos e Gansos para Foie Gras (Cifog) argumenta que o Brasrasil movimenta mais ou menos € 1 milhão por ano em importações do produto e que a proibição seria “um desvio” do acordo comercial entra União Europeia e Mercosul.

A polêmica reacendeu o debate sobre os limites entre tradição, ética e comércio na produção de alimentos de luxo e as transformações no mundo da gastronomia. “Nenhuma tradição pode servir como escudo para perpetuar práticas cuja crueldade é amplamente documentada, conforme já decidiu o STF. Quando o Estado decide limitar esse tipo de prática, ele não está atacando uma tradição, mas estabelecendo um limite ético, definindo um novo patamar civilizatório, para aquilo que pode ser ou não comercializado”, comentou Arthur Regis, especialista em políticas públicas da ONG Sinergia Animal no Brasil.

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