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Comando punirá PMs que não voltarem ao trabalho

A partir desta sexta-feira, policiais que continuarem parados serão alvo de processos administrativos e poderão ser punidos com detenção e corte de ponto. Comandante-geral da PM diz que 85% dos agentes já estão nas ruas

O comandante-geral da Polícia Militar da Bahia, coronel Alfredo Castro, disse que os policiais militares que continuarem parados a partir desta sexta-feira serão alvo de processos administrativos por ausência ao serviço e poderão ser punidos com detenção e corte de ponto. A medida parece ser a tentativa final do governo de acabar com a paralisação dos policiais, que já dura onze dias.

Castro afirmou que 85% dos policiais retornaram ao trabalho. “Na minha ótica, o fim da greve está decretado. As faltas ao serviço, a partir de agora, não serão mais tomadas como adesão à greve”, disse. O comandante reconheceu que há bairros da região periférica de Salvador que ainda sofrem com a falta de policiamento e que os locais receberão reforço com o deslocamento de tropas especiais.

Desocupação – Na noite desta quinta-feira, a associação que representa os oficiais decidiu não aderir à greve que foi deflagrada em 31 de janeiro pela Associação dos Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia (Aspra) e teve como líder o ex-soldado Marco Prisco, preso na manhã desta quinta-feira na desocupação do prédio da Assembleia Legislativa.

Segundo o comandante-geral, os policiais que decidiram manter a paralisação após a prisão de Prisco são “um grupo isolado” que resiste à convocação do governo para o retorno ao trabalho. O restante dos PMs, segundo o comando, já teriam aceitado a proposta salarial do governo.

Os policias grevistas que estão concentrados no ginásio do Sindicato dos Bancários têm uma assembleia marcada para esta sexta, às 16 horas.

Urgência – O projeto de lei para o pagamento das Gratificação por Atividade Policial (GAP) de nível 4 e 5 de maneira escalonada a partir de novembro deste ano com conclusão em 2015 será enviado nesta sexta-feira à Assembleia Legislativa. Segundo Castro, foi pedida urgência na votação.

Mesmo com a visão do comando da PM de que a situação deve se normalizar até este sábado, ainda não há uma data para o fim da atuação da Força Nacional e do Exército no reforço ao policiamento na Bahia. “As tropas deixarão o estado quando acabar o período de transição no qual estamos agora”, disse Castro. Para o carnaval, 19 000 homens trabalharão na segurança em Salvador, incluindo PMs do interior, alunos da escola militar e Exército.

O porta-voz dos policiais grevistas, soldado Ivan Leite, considerou o anúncio do comandante-geral como uma “ameaça” do governo, que na opinião dele não enfraquecerá o movimento. “Quando pensamos que o governo havia aberto uma via de negociação ele vem no dia seguinte com mais uma ameaça. Se não mudar de postura, acredito que a greve vai durar ainda mais”, afirmou.