Comandante da Guarda de Vitória é morta a tiros em casa pelo ex-namorado policial federal
Segundo a polícia, Diego de Sousa Oliveira não aceitou o término do relacionamento com Dayse Barbosa; ele tirou a própria vida após o feminicídio
A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, foi morta a tiros dentro de casa pelo ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Sousa, de 38 anos, na madrugada desta segunda-feira, 23. Após praticar o crime, Diego tirou a própria vida na mesma residência.
Segundo investigações preliminares da Polícia Civil, por volta de 1h da manhã, Diego invadiu a casa onde Dayse vivia no bairro Caratoíra, em Vitória, foi até o quarto onde ela dormia e disparou cinco vezes enquanto ela ainda estava deitada — três dos projéteis atingiram a guarda municipal diretamente na nuca e um quarto tiro acertou sua cabeça de raspão, de acordo com a perícia realizada na cena do crime. Em seguida, Diego foi até a cozinha da casa e disparou contra a própria cabeça do lado direito, acima do ouvido.
As autoridades trabalham com a hipótese de feminicídio motivado por ciúmes, uma vez que Dayse havia terminado recentemente o namoro com Diego e ele não teria aceitado o fim do relacionamento. Embora não houvesse queixas formais da guarda contra o ex-namorado, a polícia diz que há relatos de que o policial rodoviário tivesse comportamento ciumento, possessivo e controlador sobre a ex-parceira.
“Esse caso mostra que a violência de gênero não é sobre quem é a vítima, mas quem é o homem. Sobre ela não querer mais aquele relacionamento e ele dizer ‘não, você é minha e vai pagar com a sua vida'”, disse a delegada Raffaella Aguiar, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.
Na bolsa de Diego, a polícia encontrou uma série de ferramentas que seriam utilizadas para arrombar e invadir a casa, além de uma faca e um frasco de álcool, indicando que o crime seria premeditado e que o agente pode ter planejado incendiar a casa após o crime. Dayse morava com o pai, que dormia no quarto ao lado e foi acordado pelos disparos, e com a filha de oito anos de idade, que não estava em casa no momento do crime.
Morte de Dayse é o primeiro feminicídio em Vitória em quase dois anos
Dados da Secretaria da Segurança Pública (Sesp) do Espírito Santo indicam que a morte de Dayse Barbosa representa o primeiro caso de feminicídio em Vitória em mais de 650 dias. Antes do crime ocorrido hoje, o último assassinato de uma mulher na capital capixaba havia sido registrado em junho de 2024.
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), lamentou a morte da comandante e decretou luto oficial de três dias na capital capixaba. “Profissional exemplar, Dayse Barbosa destacou-se também como por sua firme atuação na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento à violência e para a construção de uma sociedade mais justa e segura”, publicou o prefeito nas redes sociais.
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), também usou as redes sociais para homenagear a guarda e repudiar o feminicídio. “Trata-se de um crime brutal, que evidencia a gravidade da violência contra a mulher. Nenhuma justificativa pode existir para tamanha crueldade”, publicou.





