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Com Serra, PSD dá como certa aliança com tucanos em SP

Após flerte com o PT, partido de Gilberto Kassab comemora anúncio do ex-governador e coloca nomes à disposição do tucano para ocupar a vaga de vice

Por Carolina Freitas - 27 fev 2012, 14h09

Satisfeitos com o anúncio da candidatura de José Serra à prefeitura de São Paulo, os líderes do PSD agora dão como certo o apoio aos tucanos – depois de flertar com o PT. O prefeito Gilberto Kassab já até colocou nomes do PSD à disposição de Serra para ocupar o cargo de vice na chapa. “Nossa primeira alternativa de aliança era com o PSDB, com o Serra como candidato”, afirmou nesta segunda Guilherme Afif Domingos, vice-governador de São Paulo e parceiro de Kassab na fundação do PSD.

Em um cenário em que os tucanos evitam a todo custo falar sobre as pretensões de Serra em ser presidente – fracassadas duas vezes – Afif soltou o verbo e associou diretamente a disposição de Serra em concorrer à prefeitura com a derrota nas urnas nas eleições presidenciais.

“Serra fez um balanço. Ele tinha um sonho político, de ser presidente. Esse projeto ficou bastante distante, portanto, ser prefeito de São Paulo é o terceiro cargo de maior importância no Brasil”, disse Afif. “Quem se preparou para ser presidente da República será sem dúvida um grande prefeito.”

PSDB – Já o governador Geraldo Alckmin elogiou a disposição de Serra em concorrer à prefeitura de São Paulo nas eleições de outubro. Serra confirmou, pela manhã, que se inscreverá nas prévias do PSDB. Ele disputa agora a indicação do partido com o deputado Ricardo Trípoli e o secretário estadual de Energia, José Anibal, em previas marcadas para o próximo domingo, dia 4.

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“É um ato de humildade de todos aqueles que colocam o seu nome à disposição do partido para servir para a população”, afirmou Alckmin após participar de evento de governo, na zona sul da capital paulista. “O fato de Serra se inscrever para as prévias é um ato de respeito à militância do PSDB.” Para o governador, a saída dos secretários Andrea Matarazzo e Bruno Covas da disputa, para abrir espaço para Serra, não esvaziam o processo de escolha do candidato tucano à prefeitura. “Você só não terá prévias se só tiver um candidato. Aníbal e Trípoli têm todo o direto de disputar. Não tem nenhum problema”, disse.

Alckmin evitou fazer comparações entre os três pré-candidatos tucanos, mas ponderou que Serra, por ter sido ministro e candidato à Presidência, é um nome nacional. O ex-governador tem, na comparação com os postulantes tucanos, a mais alta intenção de voto, porém conta com um grande índice de rejeição – algo que os candidatos estreantes não têm. “O PSDB tem tudo para vencer as eleições”, disse Alckmin. “Se o nosso adversário é o PT, temos que enfrentá-lo e vencê-lo.”

Adiamento das prévias – O provável adiamento das prévias em uma semana, do dia 4 para o dia 11, não altera o resultado do processo, afirma Alckmin. Apesar da relutância de Aníbal e de Trípoli, a mudança de data é vista pelo partido como uma alternativa para melhor organizar operacionalmente a votação, que acontece em cinquenta zonais do diretório municipal. O adiamento daria tempo aos dirigentes para comunicar aos militantes inscritos para votar nas prévias da mudança nos nomes dos pré-candidatos e evitaria questionamentos posteriores.

Entre os tucanos a percepção sobre o momento político é de que a participação de Serra nas prévias legitima a entrada dele na disputa. O cálculo é que cerca de 7.000 militantes compareçam para votar nas prévias. Serra ficaria com 4.000 votos e Aníbal e Trípoli com 1.500 cada. Serra teria então uma vitória folgada e, de quebra, agradaria à militância tucana por ter participado das prévias.

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O presidente municipal do PSDB, Júlio Semeghinni, reúne na terça-feira os integrantes da Executiva para decidir se adia ou não as prévias. Serra entrega ainda hoje uma carta ao diretório, que tem sede na região central de São Paulo, formalizando a disposição de concorrer na disputa interna.

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