Com Lula e Flávio Bolsonaro estagnados, mar de lama da disputa eleitoral deve ser decisivo
Petista usa toda a força da máquina, mas não consegue se distanciar do filho de Jair Bolsonaro nas pesquisas
Prestes a ser oficializado como candidato à reeleição pelo PT, o presidente Lula enfrenta um aparente paradoxo. Usando e abusando de uma bilionária máquina de medidas eleitoreiras, o petista reduziu a rejeição do governo, mas não conseguiu decolar nas pesquisas. Ao contrário, segue com rejeição pessoal na casa dos 50%, segundo dados recentes da Quaest.
Com toda a força colocada nesta pré-campanha, o petismo avança para a disputa eleitoral sem o poder de arranque sonhado pelos governistas, estando mais próximo de Flávio Bolsonaro do que gostaria. Dados da última rodada BTG Nexus, divulgados nesta segunda, mostram o petista em vantagem — 47% a 43% –, mas empatado tecnicamente com o senador no segundo turno, pela margem de erro de dois pontos.
Lula lidera as pesquisas semanas a fio, é verdade, mas um dado incomoda até os aliados mais otimistas. Não é tranquilizador ao petismo o fato de que o filho de Jair Bolsonaro siga competitivo, mesmo já tendo sido atingido por notícias sobre investigações da Polícia Federal — que fizeram estragos, é verdade, mas não se revelaram letais — e tendo vivido divisões internas com Michelle, por exemplo.
A resistência de Lula a escândalos, por outro lado, ainda será testada. Nas próximas semanas, será a vez dos petismo e de seus aliados entrarem nessa roda, com revelações sobre investigações que miram a esquerda.
Para além das questões criminais, o petismo tem outros receios, como o esgotamento do discurso de soberania nacional. Caminhando para concluir o governo com uma crise fiscal desafiadora, Lula ganhou de presente de Donald Trump o discurso de defesa da pátria diante de um tarifaço ilógico contra o setor produtivo nacional.
A agenda internacional ajudou a desviar o foco das crises internas, mas tem prazo de validade. O aperto provocado pela economia — juros altos e inflação no supermercado — vai pressionar o petista tanto quanto a falta de segurança pública no país e outros problemas que atormentam a população.
Lula é conhecido pela capacidade de culpar os outros por seus erros e limitações — fará isso o tempo todo na campanha –, mas até esse velho método parece já não pegar no eleitorado.
Em seu aparente teto de intenções eleitorais, o petista fatalmente terá de enfrentar um segundo turno contra a direita. É aí que o antipetismo, como mostra a capa de VEJA que está nas bancas, pode ser determinante. Ao petista, resta apostar no caos.
A esperança de Lula é que a direita, dividida, acabe derrotada por suas próprias incoerências e falhas. No fim de semana, Flávio oficializou sua candidatura com pirotecnia, mas não conseguiu afastar a imagem de fragilidade de seu projeto, isolado e amparado apenas na certidão de nascimento.
Lula e Flávio seguirão para uma campanha que promete ser a mais disputada e carregada de acusações dos últimos tempos.
O mar de lama vai entreter o eleitorado polarizado, mas será o eleitor de centro, ainda desinteressado nas pesquisas, que fará diferença. E é aí que a máquina de moer reputações ditará o final da briga.
Sem força para conquistar o eleitorado pela admiração, tanto Lula quanto Flávio tentarão lucrar com o medo e a rejeição do adversário.







