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Com crise financeira no RJ, Dornelles diz que Jogos podem ser ‘grande fracasso’

Em entrevista a jornal, governador em exercício do Rio de Janeiro se diz "otimista", mas afirma que a "frota da polícia corre o risco de parar"

Por Da Redação - 27 jun 2016, 16h56

A 39 dias da abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro, o governador em exercício do estado, Francisco Dornelles (PP), admite que, se “se algumas medidas não forem tomadas”, os Jogos podem “ser um grande fracasso”. Em entrevista publicada na edição do jornal O Globo desta segunda- feira, Dornelles pondera que, embora seja “otimista” com o evento, deve “mostrar a realidade”. Há uma semana, alguns dias após decretar estado de calamidade pública para acelerar o recebimento de recursos da União, o governador em exercício mantinha o discurso de que “a Olimpíada é um evento do Brasil, que não pode fracassar. Não vamos fracassar. Vai ser um sucesso”.

“Sem segurança e sem metrô, haverá dificuldades. Como é que as pessoas vão chegar aos locais de competições sem metrô? Como é que as pessoas vão se sentir protegidas na cidade sem segurança?”, indaga Dornelles, que ilustra a penúria do estado a partir da segurança pública, “prioridade” à qual serão destinados os 2,9 bilhões de reais repassados pelo governo do presidente interino, Michel Temer (PMDB). “A frota da polícia corre o risco de parar. Conseguimos fazer uma ginástica financeira e só aguentaremos até o fim da semana”, afirmou o governador na entrevista.

O dinheiro destinado pelo Tesouro é suficiente para cobrir três meses das despesas da segurança pública do Rio de Janeiro. “O pacto é para a Olimpíada. Depois a gente vai ter que pensar”, diz Dornelles.

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Embora a medida provisória que libera os recursos federais ao Rio de Janeiro ainda não tenha sido assinada por Temer, Francisco Dornelles vê o socorro financeiro do governo como questão de tempo: “ainda está no prazo combinado, que é até o dia 30, quinta-feira. Considero que liberação da subvenção está certa”.

A conclusão da linha 4 do metrô, o pagamento de despesas atrasadas, o transporte por meio de barcas e a saúde em situação “calamitosa” serão, segundo Dornelles, as prioridades para receber recursos remanejados após o alívio com a ajuda federal. “O metrô está quase pronto. Falta pouco mais do que um quilômetro, mas estamos devendo mais de 400 milhões de reais para as empresas”, diz

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Em relação aos pagamentos atrasados de servidores estaduais, o governador em exercício afirmou que “a folha de pagamento não tem nada a ver com o dinheiro que vai sair”. Isso significa que os recursos remanejados após a ajuda do governo federal não serão destinados ao pagamento de salários. “Até terça-feira, vou ter um levantamento do que temos em caixa para pagar”, afirma o governador

(da redação)

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