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Cofres particulares guardam pertences não declarados

Segundo especialista, isso pode explicar por que apenas três dos 170 clientes roubados depois do assalto ao Itaú da Avenida Paulista registraram queixa

Por Bruno Abbud - 6 set 2011, 12h04

Até agora, apenas três dos 170 clientes que tiveram seus cofres roubados durante o assalto a uma agência do banco Itaú na Avenida Paulista apresentaram queixa à polícia. De acordo com Ricardo Chilelli, especialista em segurança e diretor-presidente da RCI First, empresa que constrói bunkers em São Paulo, a tímida reação das vítimas configura um sinal preocupante por trás da história.

O espetacular assalto ocorrido em 27 de agosto e que só agora veio à tona colocou os clientes do banco num impasse. Segundo Chilelli, a maior parte dos pertences guardados nesse tipo de cofre não costuma integrar a declaração de renda de seus proprietários. Por isso, poucos tentaram reaver o conteúdo roubado.

“É difícil registrarem queixa”, diz Chilelli. “Quando registram, fazem isso pela metade”. Sem revelar detalhes, o especialista informou que há pessoas que chegam a armazenar pedras preciosas em estado bruto ─ como diamantes, por exemplo ─ em cofres particulares. Os donos dos cofres arrombados por bandidos naquela madrugada de domingo são, geralmente, milionários. Pelas regras do banco, só eles conhecem o conteúdo armazenado na agência.

Informações ─ Eram exatamente 23h50 de sábado, 27 de agosto, quando doze assaltantes armados e disfarçados invadiram uma agênciado banco Itaú, na esquina da Rua Frei Caneca com a Avenida Paulista. Eles vestiam uniformes idênticos aos utilizados por funcionários da manutenção do prédio e carregavam caixas de papelão. Um dos criminosos rendeu um vigilante do banco, que liberou a entrada do bando. Dez homens desceram até o subsolo da agência, onde estão instalados os cofres particulares.

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Os bandidos passaram dez horas no local, arrombaram 170 cofres e, pela manhã, escaparam sem obstáculos. O caso foi registrado no 78º Distrito Policial, nos Jardins. A investigação está por conta da Delegacia de Repressão a Roubo a Bancos do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (DEIC). Os policiais tentam descobrir por que o alarme do banco não foi acionado. Um policial disse ao site de VEJA que os investigadores desconfiam que os criminosos foram abastecidos por informações privilegiadas, possivelmente provenientes de funcionários.

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