Climatologista prevê os impactos no Brasil de El Niño com ‘80% de chance de vir muito forte’
José Marengo afirma que fenômeno deixa de ser apenas ambiental e passa a produzir efeitos diretos sobre agricultura, logística, setor elétrico e preços
O aumento da probabilidade de um El Niño muito forte reacendeu o alerta para impactos econômicos que vão muito além das mudanças no clima. No programa Mercado, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o climatologista José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), afirmou que o fenômeno deve intensificar extremos climáticos e pressionar setores como agricultura, energia e logística, com reflexos na inflação (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo Marengo, as projeções indicam mais de 80% de chance de o El Niño atingir intensidade muito forte a partir de agosto. A expectativa é de que o fenômeno permaneça ativo até o início de 2027, com pico entre dezembro e janeiro, durante o verão.
Por que o El Niño preocupa além da questão ambiental?
Na avaliação do climatologista, o fenômeno já não pode ser tratado apenas como um evento climático. “O El Niño já ultrapassou a barreira ambiental e passa a ser um fenômeno socioeconômico.”
Segundo Marengo, os efeitos variam entre as regiões brasileiras. O Sul tende a registrar excesso de chuvas, enquanto Norte e Nordeste enfrentam maior risco de seca. Em boa parte do restante do país, a tendência é de temperaturas acima da média. Essas alterações, explicou, podem agravar problemas já existentes, sobretudo em regiões vulneráveis à estiagem.
Como o clima pode pressionar a inflação?
Marengo afirmou que a chamada “inflação climática” não decorre apenas de perdas na produção agrícola. Segundo ele, temperaturas elevadas e períodos prolongados de seca afetam toda a cadeia de abastecimento, desde o transporte até o armazenamento dos alimentos. “A alta temperatura e seca podem afetar a produção agrícola, mas não somente isso; afetam também o transporte de alimentos, por exemplo.”
O climatologista acrescentou que o calor excessivo acelera a deterioração dos produtos, aumenta o desperdício e reduz a oferta disponível. “Os preços vão subindo”, diz.
Na avaliação do pesquisador, caso já exista um cenário inflacionário, o El Niño tende a ampliar essas pressões sobre a economia.
Qual é o impacto esperado sobre o setor elétrico?
Questionado sobre a manutenção da bandeira amarela na conta de luz durante o período de seca, Marengo explicou que a redução das chuvas no Norte e Nordeste compromete os níveis dos reservatórios das hidrelétricas. Além da menor precipitação, o aumento das temperaturas acelera a perda de água armazenada, agravando a crise hídrica. Quando a geração hidrelétrica diminui, afirmou, cresce a necessidade de recorrer às usinas termelétricas. “Além de poluir o ar, é energia mais cara.”
Segundo o climatologista, esse custo adicional acaba chegando ao consumidor. “Nós terminamos pagando a conta a cada fim de mês com esses extremos climáticos.”
Quais setores podem ser mais afetados?
Marengo destacou que os impactos econômicos tendem a atingir diferentes áreas simultaneamente. A agricultura enfrenta perdas provocadas pela seca e pelas altas temperaturas. A logística sofre com dificuldades no transporte e conservação dos alimentos. Já o setor energético pode registrar custos maiores diante da necessidade de ampliar a geração termelétrica.
Na avaliação do pesquisador, essa combinação reforça o peso dos eventos climáticos extremos sobre a economia e amplia a necessidade de planejamento por parte de empresas e do poder público.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







