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Cláudia Cruz sabe de nada. Inocente?

Em depoimento à Justiça, mulher de Eduardo Cunha ignora o juiz Sergio Moro e diz que nunca desconfiou da origem do dinheiro que bancava seus luxos

Por Renato Onofre - 19 nov 2016, 10h03

“Em casa, eu não era jornalista. Era apenas esposa e mãe.” Foi com essa explicação doméstica que Cláudia Cruz, mulher do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, respondeu em depoimento à Justiça à pergunta sobre o motivo pelo qual, tendo a profissão que tem, nunca teve curiosidade de saber a origem do dinheiro que gastava (em oito anos, suas despesas com compras em lojas de grife e jantares em restaurantes estrelados pelo mundo somaram 1 milhão de dólares). Apesar de ter ficado frente a frente com o juiz Sergio Moro, que mandou seu marido para a cadeia, ela usou de uma prerrogativa que a lei lhe confere e respondeu apenas a perguntas do próprio advogado, Pierpaolo Bottini. Mal olhou para Moro, e manteve os olhos fixos em seu advogado e só a ele se dirigiu, num roteiro ensaiado na noite anterior em Curitiba.

Durante o depoimento, Cláudia repetiu nove vezes confiar no marido e em cinco oportunidades negou ter conhecimento da origem criminosa do dinheiro que gastou: “Quando essas notícias vinham à tona, ele (Cunha) ficava muito brabo, muito, com muita raiva. Ele sempre repetia: ‘O meu dinheiro é lícito’ ”. Cláudia Cruz e o jornalismo nada perderão se ela continuar dedicando-se a ser esposa e mãe.

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