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Cinegrafista morre durante operação do Bope no Rio de Janeiro

Profissional foi atingido por um fuzil em intenso tiroteio na favela de Antares, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio

Por Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro - 6 nov 2011, 09h20

O cinegrafista Gelson Domingos da Silva, 46 anos, da rede Bandeirantes, morreu baleado durante um operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na Favela de Antares, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Baleado com um tiro de fuzil, ele foi levado para a UPA de Santa Cruz em estado gravíssimo, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Cerca de 100 policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque, sob o comando do 1º tenente Leonardo Novo Oliveira Araújo, com apoio do Batalhão de Ações com Cães, estão no local desde a madrugada, em uma operação surpresa que começou na manhã deste domingo. Houve um intenso tiroteio na região por cerca de uma hora, mas o clima permanece tenso na favela. Os policiais continuam no local a procura de traficantes.

De acordo com fontes que estavam no local, os policiais do Bope foram surpreendidos pelo ataque dos traficantes da Favela de Antares e pediam aos profissionais da imprensa que se arrastassem pelo chão, para evitar que fossem atingidos por balas perdidas no tiroteio. Gelson acabou sendo atingido por um tiro de fuzil e não resistiu aos ferimentos.

A Delegacia de Homícidios da Polícia Civil do Rio de Janeiro entrou no caso para investigar se Gelson chegou a filmar o atirador que o atingiu. Como o cinegrafista foi baleado de frente – posição em que a câmera filmadora fica apoiada no corpo -, há chances de que ele tenha feito imagens do seu algoz minutos antes de ser ferido.

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Apreensões – Segundo informações da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, o objetivo da ação era checar informações da área de Inteligência do Bope e do Choque de que líderes do tráfico, armados, se reuniam no local. Informações preliminares revelam que seis criminosos foram presos, dentre eles o “gerente” do tráfico local, conhecido como BBC, e seu braço-direito China. No confronto com policiais militares, quatro bandidos foram mortos. Há informações ainda sobre a apreensão de drogas e armas. As operações da Polícia Militar continuarão por tempo indeterminado.

Band – Em nota, o Grupo Bandeirantes lamentou a morte do cinegrafista. Segundo a empresa, Gelson usava um modelo de colete à prova de balas permitido pelas Forças Armadas em situações como essa. O cinegrafista foi atingido por um tiro de fuzil, provavelmente disparado por um traficante, chegou a ser socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento da região, mas não resistiu. Confira abaixo o comunicado na íntegra:

“O Grupo Bandeirantes lamenta a morte do seu funcionário Gelson Domingos, de 46 anos, na manhã deste domingo. O repórter cinematográfico foi atingido no peito em pleno exercício da sua profissão na cobertura de uma operação da polícia na favela de Antares, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio. Ele chegou a ser socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento da região, mas não resistiu.

O funcionário estava de colete à prova de balas – modelo permitido pelas Forças Armadas, sempre usados por profissionais da Band em situações como esta. Ele foi atingido por um tiro de fuzil, provavelmente disparado por um traficante.

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Gelson Domingos deixa 3 filhos, 2 netos e esposa. Repórter cinematográfico da TV Bandeirantes, ele já trabalhou em outras emissoras como SBT e Record e sempre foi reconhecido pela experiência e cautela no trabalho que exercia.

O Grupo Bandeirantes se solidariza com a família e está prestando toda a assistência.”

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