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Cid Gomes receberá policiais grevistas para negociação

Trabalhadores estão inclinados a aceitar contraproposta do governo. Movimento começou na quinta-feira e espalhou medo pelas ruas de Fortaleza

Por Mariana Penaforte, de Fortaleza (CE) - 3 jan 2012, 19h43

Após seis dias de greve da polícia militar e dos bombeiros, o governador do Ceará, Cid Gomes, recebe na noite desta terça-feira em seu gabinete uma comissão de representantes dos trabalhadores. De acordo com o presidente da Associação dos Cabos e Soldados Militares do estado, Flávio Sabino, as categorias estão inclinadas a aceitar a proposta apresentada mais cedo pela procuradora-geral de Justiça Socorro França. De qualquer forma, se o acordo for fechado hoje, os policiais já avisaram que só voltarão ao trabalho amanhã pela manhã. Sabino não quis falar sobre o porcentual de reajuste proposto pelo governo, para não atrapalhar as negociações, mas adiantou que no acordo está incluso um bônus de 859 reais a todos os policiais militares (atualmente, o benefício só é concedido a trabalhadores do turno noturno), uma redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais para a PM e a anistia a todos os policiais e bombeiros que participaram da greve. O governo do estado, por sua vez, informou aos grevistas que, em três pontos só negociará após o fim da paralisação: o reajuste do vale-refeição de 6 para 10 reais; a substituição do Código de Disciplina Militar por um Código de Ética; e a formulação de um plano de carreira. Governo e trabalhadores passaram o dia em negociação. A primeira proposta apresentada pela procuradora de Justiça Socorro França foi rejeitada pelos grevistas. Eles deixaram a reunião decididos a continuar em greve, mas receberam um telefonema de Socorro com uma contraproposta. Com a sinalização positiva dos grevistas, foi marcada a reunião no gabinete de Cid Gomes, no Palácio da Abolição, em Fortaleza. Medo – A greve da Polícia Militar e dos Bombeiros do Ceará provoca pânico entre os moradores de Fortaleza e do interior. Notícias sobre arrastões que acontecem desde a segunda-feira pelo estado fizeram o comércio fechar e os cearenses ficarem em casa. Supermercados, farmácias e lojas foram atacados por grupos de criminosos, que invadiram até mesmo um ônibus para roubar pertences dos passageiros. A paralisação dos profissionais da segurança fez o governador do estado, Cid Gomes, decretar estado de emergência na sexta-feira. Cid Gomes convocou o Exército e a Força Nacional de Segurança Pública para reforçar o policiamento no estado. O governo estadual emprestou ainda 159 veículos recém-adquiridos pela Secretaria de Saúde para uso da segurança. Aproximadamente 2,5 mil militares já patrulham as ruas de Fortaleza e região metropolitana. O Tribunal de Justiça do Estado o Ceará (TJCE) determinou, na segunda-feira, que os policiais e bombeiros voltem imediatamente às atividades. Caso a determinação seja descumprida, cada trabalhador pagará multa diária de 500 reais e cada sindicato envolvido na greve, multa diária de 15 000 reais. A decisão judicial, assinada pela desembargadora Sérgia Miranda, considera o movimento ilegal.

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