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Ciclistas cariocas pedem socorro

Blog e página no Facebook mostram flagrantes de desrespeito ao espaço nas ruas: "Sai da ciclovia!"

O Rio de Janeiro é a cidade brasileira com maior extensão cicloviária do Brasil: são 235 quilômetros de vias na cidade destinada à circulação exclusiva de bicicletas (dados de junho de 2011). Mas o que era pra ser uma celebração entre os ciclistas cariocas virou tema de protesto. O que eles reivindicam? Que carros, caminhões – e até pedestres! – liberem as faixas exclusivas. “Sai da Ciclovia!” é o nome de um blog, que agora virou página no Facebook e em questão de dias já acumulou quase 300 “curtições”.

A ideia é reunir fotos que mostram flagrantes claros de desrespeito à ciclovia – registros que vão desde o estacionamento de veículos de forma irregular até o acúmulo de pedestres que aguardam na área a vez para atravessar a rua. Mas o objetivo não é denunciar os infratores (mesmo porque as placas dos carros não são divulgadas) nem simplesmente chamar a atenção para os flagras, como explica o criador da iniciativa, o tradutor Arthur Max. “Nossa causa é muito maior. Os carros estacionados sobre ciclofaixas são apenas a parte mais visível e fácil de se fotografar do grande problema: o desrespeito com os ciclistas e o fato de não enxergarem a bicicleta como um meio de transporte”, diz ele.

Max adquiriu o hábito de usar a bicicleta para se locomover diariamente quando morou na Alemanha e no Canadá. E ao voltar ao Brasil decidiu manter o mesmo estilo de vida. “Nunca fui ativista, mas quando você percebe a rejeição crescente só por estarmos na rua, precisa fazer alguma coisa”, conta. A rápida adesão à causa o surpreendeu. Ele espera que mais pessoas se mobilizem e criem consciência. “O desrespeito não é apenas com ciclistas. É de todo mundo com todo mundo. Não existem normas de convivência no trânsito. A ciclovia, aliás, nem seria necessária se houvesse educação.”

Aos desavisados: estacionar em ciclovia é infração grave, que rende cinco pontos na carteira de habilitação e multa de 127,69 reais.

A indignação de um ciclista com a ocupação da ciclovia originou um episódio curioso este ano no Rio. Na noite de 27 de abril, o cinegrafista Marcelo Toscano Bianco ficou indignado ao perceber que a tenda de uma blitz da Lei Seca havia sido montada sobre a ciclovia da Avenida Francisco Otaviano, que liga Ipanema a Copacabana. Quando Bianco parou para fotografar o que considerou um abuso, foi repreendido com a apreensão da bicicleta e multado em 1.723,86 reais, por estar sem capacete e por não ter habilitação para veículo acima de 50 cilindradas. Ele estava em uma bicicleta elétrica. Os fiscais que fizeram a apreensão foram afastados da Operação Lei Seca.

O caso acabou gerando punição para os agentes e um decreto do prefeito Eduardo Paes autorizando as bicicletas elétricas a circular pela cidade, sem necessidade de habilitação, desde que respeitado o limite de 20 km/h em vias públicas.

A causa, encampada por todos os ciclistas – não só os usuários das elétricas – somou-se a uma luta dos cariocas por mais respeito nas ruas. Assim como em São Paulo, no Rio é crescente o movimento de bicicletas no trânsito, nas ciclovias e até em calçadas – o que representa um desrespeito com o pedestre. A sensação geral é de que, com mais espaço e mais respeito, a cidade pode ter mais bicicletas e menos engarrafamentos.

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