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Celulares das vítimas do acidente de ônibus não param de tocar, diz delegado

Veículo levava universitários das Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e Brás Cubas (UBC) para São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, onde moravam

O delegado Fabio Pierre, da Delegacia de Bertioga, responsável pela investigação das causas do acidente na rodovia Mogi-Bertioga, disse que, como os corpos ainda não foram identificados pelos familiares, os celulares dos universitários não param de tocar na delegacia.

“Dezenas e dezenas de pertences das vítimas foram levados à delegacia. São bolsas, mochilas, agasalhos e celulares. Inclusive, alguns desses celulares estão tocando sem parar e a gente não sabe se são de pessoas que estão vivas ou que, infelizmente, faleceram. É uma tragédia sem precedente”, disse o delegado. Até as 8 horas desta quinta-feira apenas um corpo havia sido reconhecido pela família – o da estudante de Psicologia Ana Carolina da Cruz Veloso, de 21 anos.

O acidente aconteceu por volta das 22h50 desta quarta-feira no quilômetro 84 da rodovia e deixou 18 mortos e outros 31 feridos. Segundo os bombeiros, o motorista perdeu o controle do veículo, colidiu de frente com um rochedo na pista contrária e caiu em uma ribanceira.

O ônibus levava estudantes das Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e Brás Cubas (UBC) para São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, onde moravam. O transporte era fornecido gratuitamente pela prefeitura da cidade.

Ainda segundo o delegado, o ônibus ficou totalmente destruído o que pode prejudicar a perícia. “Os danos causados no ônibus dão a impressão de que houve um atentado terrorista, parece que uma bomba foi colocada dentro dele e ele implodiu. Não dá para entender como, felizmente, algumas pessoas saíram vivas daquele coletivo”, afirmou.

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De acordo com Pierre, não chovia no local do acidente. “Apesar de ser uma curva com declive acentuado, seguramente o coletivo não vinha devagar. A gente ainda não sabe precisar a velocidade, mas ele não estava devagar”, disse o delegado.

Vítima – Um dos mortos no acidente é o ajudante de pedreiro Damião Nunes Praz, de 33 anos, que cursava Engenharia Civil na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e sonhava em se tornar engenheiro.

De uma família de dez irmãos da cidade de Mauriti, no interior do Ceará, Praz morava há 15 anos na Praia da Barra do Una, em Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Seu primeiro emprego na cidade paulista foi como auxiliar de cozinha, mas logo migrou para a área da construção civil. Construiu a casa onde vivia com a família e se preparava para erguer uma segunda casa.

Uma de suas irmãs, a empregada doméstica Josefa Margarida Praz, de 39 anos, chegou por volta das 5 horas desta quinta-feira ao Instituto Médico Legal (IML) do Guarujá, no litoral sul, e reconheceu o corpo.

Segundo Josefa, o irmão trabalhava desde o 7 anos na roça e era o único da família que ingressou na universidade. “Ele trabalhava o dia inteiro como pedreiro e à noite ia para a faculdade”, disse. “A dedicação dele era o trabalho.”

“Estou triste pelo acidente, mas nada vai trazê-lo de volta”, declarou a irmão, que definiu Praz como “uma pessoa tranquila, de poucas palavras”.

(Com Estadão Conteúdo)