Cedae detecta mais de 1.700 anomalias em rios que abastecem 12 milhões de pessoas
Relatório apontou que nenhuma das ocorrências teve impacto na qualidade do abastecimento, mas destacou importância do trabalho preventivo do CMA
O Centro de Monitoramento Ambiental (CMA) da Cedae detectou mais de 1.700 anomalias na água das bacias dos rios Guandu e Guapiaçu, responsáveis pelo abastecimento de 12 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, entre maio e julho deste ano. O balanço foi divulgado nesta quarta-feira, 9. O relatório apontou que nenhum dos registros teve impacto na qualidade do abastecimento, mas destacou a importância do trabalho preventivo, que permite uma rápida tomada de decisão diante de situações de risco.
Entre as anomalias, estão manchas de óleo, alterações de cor da água e fuligens de incêndio. Na bacia do Guandu, os equipamentos detectaram 1.104 ocorrências, considerando as anomalias no corpo hídrico e ao entorno. Já no sistema Guapiaçu, foram 668. No saldo total do ano passado, foram contabilizadas 2.541 — ou seja, houve uma disparada nos registros em 2026.
Segundo a Cedae, o aumento nos números é resultado do “efeito do monitoramento mais abrangente e ininterrupto”.
“Embora a maior parte das anomalias detectadas fosse irrelevante e quase imperceptível, elas foram identificadas graças à atuação das equipes e dos equipamentos avançados do CMA. Os técnicos acompanham continuamente, através de painéis eletrônicos, as imagens fornecidas por 36 câmeras distribuídas em 14 pontos estratégicos das bacias monitoradas”, afirmou a engenheira sanitarista Elisa Silva, gerente-geral de controle de qualidade e tratamento da Cedae.
“O Centro serve como um mecanismo de alerta preventivo para a captação e o abastecimento público. Conseguimos identificar precocemente qualquer alteração nos mananciais que possam comprometer a qualidade da água”, acrescentou.
A tecnologia é de ponta, e inclui dez parâmetros físico-químicos captados por sensores flutuantes, drones e câmeras espectrais similares às da Nasa. Os dados passam por uma triagem automática, com auxílio da inteligência artificial (IA), que reconhece padrões atípicos e gera alertas imediatos para parâmetros críticos. Quando alguma ocorrência chama a atenção, a equipe técnica avalia localização e a severidade do evento, acionando setores operacionais e laboratoriais especializados.
Devido ao trabalho de relevância, o Centro de Monitoramento Ambiental da Cedae concorre ao Prêmio Firjan de Sustentabilidade de 2026, na categoria Águas e Efluentes. A premiação tem como objetivo homenagear iniciativas de destaque nas áreas de governança, práticas socioambientais e desenvolvimento sustentável na região. O anúncio dos vencedores será feito em 25 de setembro.





